.
Visões apocalípticas Tupi-Guarani do tempo e do corpo
 

Mariana K. Leal Ferreira

“Você quer saber das brincadeiras da criançada e eu não quero contar, porque dá tristeza. Guarani é assim, come pouco para ficar levinho, o corpo leve para sonhar, ter sonho bom à noite. Então eu só tomo chimarrão... Mas criança tem fome, não aguenta, e a comida está fraca e a doença está pegando forte. Então eles brincam assim, pra ter uma alegria”.

(Pajé Henrique Firmino, Aldeia Itaóca, 1999).
 As encenações das crianças revelam nuances da cosmologia e da situação histórica do povo Guarani. Enquanto homens e mulheres adultos recusam-se a reclamar da fome crônica e das doenças, brincadeiras infantis mostram a extensão da miséria existente na Aldeia Itaóca, em Mongaguá, litoral sul de São Paulo, o Estado mais rico do Brasil. As crianças encenam a vida no lixão da cidade -- o lugar onde são despejados os restos da população, material usado em hospitais e onde inclusive são feitos despejos químicos. Em meio ao lixo, as crianças brincam a solidão dos hospitais, os enterros dos mortos e o assédio dos missionários, sempre ansiosos pela conversão dos Guarani ao cristianismo.
 Em meio à tragédia, as crianças propõe soluções concretas e criativas, para melhorar a vida dos índios. Os pequenos reinventam, no dia-a-dia,  o  Nhande Reko, o modo de ser Guarani, cujo objetivo maior é o de ascender à Ywy mara e ’ y, a Terra-Sem-Mal, para viver a Divina Abundância.   As crianças põem em evidência a reivenção da concepção de mundo Guarani em reservas indígenas onde, hoje em dia,  a terra é improdutiva, a caça inexistente e o poder e sabedoria dos profetas karaí postos em xeque por missionários e funcionários públicos, insensíveis à cosmologia do povo. O que pode significar a economia de reciprocidade Guarani para uma comunidade que vive diariamente no lixão catando restos de alimentos e latinhas de alumínio para sobreviver?
 Nas brincadeiras, as crianças manifestam como entendem estas e outras questões que incomodam as comunidades Guarani, e dão uma lição àqueles que procuram estudar aspectos contemporâneos da história e da cultura do povo. Idéias infantis não são imaturas, nem as crianças deixam de entender o que “realmente acontece”. Na opinião da antropóloga Christina Toren,

Crianças têm de viver suas vidas de acordo com os próprios entendimentos, assim como adultos o fazem; suas idéias são fundamentadas na própria experiência e, portanto, igualmente válidas. O desafio do antropólogo é analisar os processos que tornam possível às crianças viver de modo eficiente, a partir de idéias que são inversões daquelas sustentadas pelos pais e outros adultos” [Toren 1993:463; minha tradução].

 Neste ensaio, apresento a possibilidade de uma nova perspectiva de leitura da sociedade Guarani, por meio de jogos e brincadeiras encenados pelas crianças. Parto do reconhecimento da autonomia do universo infantil. O mundo dos pequenos não é uma réplica ou simplesmente uma miniatura do mundo dos adultos, mas um espaço relativamente autônomo, com validade em si, conforme propõe a Antropologia da Criança (Gregor 1982, Nunes 1997, Toren 1995).
 Três jogos de representação, de crianças de dois a doze anos, foram selecionados para este ensaio. Pude observar de perto e dialogar com crianças Guarani Mbyá e Guarani Nhandeva de Itaóca durante mais de dois anos, entre 1997 e 1999.  A Aldeia Itaóca foi fundada há cerca de oito anos atrás, por famílias de dois subgrupos Guarani: os Mbyá, que migraram do Paraná e de Santa Catarina, e os Nhandeva, que se encontravam desaldeados na região.    A população atual da aldeia é de 165 índivíduos. A Terra Indígena Guarani de Itaóca foi identificada, mas não demarcada, pela Fundação Nacional do Índio (Funai). As invasões são constantes e há onze famílias de posseiros na área. A proximidade com o depósito de lixo municipal, localizado junto ao limite leste da terra indígena e a menos de um quilômetro do centro da aldeia, traz ratos, baratas e moscas ao local onde os índios vivem.
 

O cantor, a cozinheira e o catador de latinhas

 “Brincar de cantor” é uma encenação realizada com frequência pelos irmãos Diego, de nove anos, Daniela, sete, e Angélica, três. Na primeira vez que presenciei a encenação destas crianças Guarani Nhandeva, em outubro de 1998, Diego revelou estar “brincando de Xitãozinho” (da dupla de cantores sertanejos Xitãozinho e Xororó), enquanto Daniela fazia “comida” e a pequena Angélica “catava latinhas”. Os três brincavam juntos no terreiro ao lado do barrraco de três por quatro metros em que vivem, feito de restos de madeira, pedaços de telhas de amianto e chão de terra batida. Usavam água de um pequeno riacho próximo à casa, visivelmente poluído pela criação de porcos do posseiro vizinho. É a mesma água que são forçados a beber. É de lá que Suely, mãe dos pequenos, pega água para cozinhar, dar banho nos filhos e lavar roupa.
 Durante a brincadeira, Diego carregava um “microfone” de madeira nas mãos e cantava “Deixei de ser cowboy por ela” -- o que também poderia ser uma alusão à frequente união de não-índios com mulheres Nhandeva. Ao mesmo tempo, Daniela misturava folhas, gravetos, terra e água dentro de uma panela de alumínio, apoiada sobre três pedras e lenha de fogueira -- àquela altura do dia, no final da manhã, a menina ainda não havia se alimentado. Já a menorzinha Angélica, de apenas três anos, empilhava tampinhas de garrafa num velho carrinho de plástico -- brincando de catar latas de alumínio no lixão, principal atividade econômica dos índios. À primeira vista, as atividades dos três não pareciam estar conectadas. O diálogo que mantive com os dois irmãos mais velhos, porém, revelou uma situação comum às crianças -- envolvendo o cantor, a cozinheira e a catadora de latinhas.
 Ao mesmo tempo em que Diego cantava, Daniela preparava uma feijoada, “porque cantor come comida gostosa”. Angélica catava “latinha pra vender pros homens do lixão”. O menino justificou dizendo que a irmã menor, frágil pelos seus três anos, “nunca vai sair dessa vida, e vai ser pobre até morrer”. “Ela gosta de andar pelada e viver no lixo”. Diego, ao contrário, vai à escola. “Depois de aprender a escrever vou ser cantor”.
 A mãe Suely da Silva escutava a conversa. Neste momento se manifestou, zombando do filho: “Que nada, não vai ser cantor, não. Vai ser desgraçado que nem o pai, que não tem onde cair morto”. Diego abaixou a cabeça e procurou disfarçar a vergonha, como se a mãe não tivesse se intrometido na fantasia dele.
 Como outras mulheres Guarani Nhandeva da Aldeia Itaóca, Suely, de 36 anos, é mãe solteira. Atualmente, vive com um não-índio, de 27 anos. Mulher indígena, mãe de sete filhos, analfabeta, Suely, nas repetidas ausências do companheiro, é de fato a chefe da família, que tem todos os requisitos para se situar abaixo do nível de pobreza, conforme o Censo de 1991 (Leme e Biderman 1997). De fato, a renda mensal da família está muito aquém de 100 reais por mês. Em meses de temporada, os melhores do ano, principalmente no Carnaval, “quando os turistas bebem muita cerveja e o lixo fica gordo de latinhas”, nas palavras de Aldair, a renda familiar alcança os 80 reais (menos de 50 dólares).
 O atual companheiro de Sueli havia declarado viver “de bicos por aí”. Ficou constrangido, como a mulher, com a brincadeira das crianças, que revelou que a subsistência da família vem do lixão. Aldair, também analfabeto,  sofre de paralisia nas duas pernas. Não vai ao médico. Atribui o mal a uma “febre forte”. Arrasta-se da casa à carroça, atrelada a um velho cavalo, o bem mais valioso da família. É assim que se locomove, diariamente, ao lixão. Como as crianças e a companheira, Aldair sofre de dor de dente, visivelmente cariados. Tem feridas espalhadas pelo corpo e na cabeça, onde pousam moscas e pequenos mosquitos. Nos olhos, sinais de conjuntivite. Todos possuem praticamente apenas as roupas do corpo e andam descalços. Ao lidar com restos de comida, cacos de vidro, ferros retorcidos e eventualmente despejos com resíduos químicos, pais e filhos estão expostos a intoxicações, tétano, febre tifóide, leptospirose e também escabiose, doenças gástricas e até tuberculose (Ferreira 1999c).
 Os restos de alimentos encontrados no lixão ajudam a matar a fome das três crianças. Como as irmãs, Diego tem baixo peso, barriga inchada e pele flácida, sem elasticidade. Em março de 1999, Diego, Daniela e Angélica pesavam, respectivamente, 19, 14 e 8 quilos, quando deveriam estar pesando 28, 22 e 14 quilos.  O peso dos irmãos são evidência de desnutrição energética e protêica, conforme apontam pesquisas sobre crescimento físico e estado nutricional de populações indígenas brasileiras (Martins e Menezes 1994, Morais et al. 1990, Santos 1993). Apenas a pequena Angélica possui carteira de vacinação, mas as imunizações estão atrasadas. As três crianças estão expostas ao bacilo da tuberculose, bastante disseminado na Aldeia Itaóca, de acordo com o cacique Luiz de Souza Karaí, que também é agente de saúde no local.
 Inconformada com a revelação das crianças que desmentiu a explicação de que o sustento da família vinha da extração de palmito, Suely concordou em mostrar a coleta do dia no depósito de lixo: três laranjas velhas, meio pote de iogurte ainda não deteriorado, restos de pão e alguns tomates aproveitáveis. Num canto da casa havia sacos de plástico com latinhas de alumínio, que seriam vendidas para garantir alguns trocados. Naquele momento, a família não dispunha de dinheiro. Chamava a atenção as moscas sobre um pedaço de espuma, que serve de cama para toda a família. Suely apontou para os vãos entre os pedaços de telhas, justificando a umidade do chão. Quando perguntei se não achava perigosa a vida no lixão, a mulher respondeu que não. “Pelo menos nós estamos limpos. Perigoso é mexer com drogas, se meter em encrenca. Nós aqui somos tudo limpo”.
 Suely referiu-se à presença de traficantes de drogas não-índios na terra indígena, que aproveitam a mata da área para se esconder. Há, ainda, a desova de corpos na estrada que liga a Rodovia Padre Manoel da Nóbrega à Itaóca, conforme denúncia dos próprios índios, pondo em risco os Guarani que viajam à noite. Perguntei a Suely sobre a Terra-Sem-Mal de que falam os Guarani. Resposta dela: “Terra-Sem-Mal é coisa que meu pai falava, mas pra nós não tem esperança. Isso é coisa dos antigos, que viviam a vida pura. Mas nós já estamos tudo danado, não tem jeito. Tem aquele ditado que diz: quem nasce no lixo, morre no lixo. Então nós vamos morrer aqui mesmo”.
 Diego, o menino de nove anos, entrou na conversa, e respondeu à intromissão da mãe na brincadeira das crianças: “Não, mãe, eu não vou ser catador de latinha igual o pai. Vou ser cantor. Eu vou te levar embora daqui.” A mãe retrucou: “Não fala besteira, menino! Onde já se viu, ser cantor? É isso que você está aprendendo na escola? Se Deus quiser, você vai trabalhar cortando banana, bem melhor que no lixão. Mas com essas minhocas na cabeça, você não vai pra lugar nenhum. Vai catar latinha igual ao pai!”

O médico, o índio e o chofer de ambulância

 Ao contrário dos Guarani Nhandeva da Aldeia Itaóca, que só falam português, as crianças Mbyá, da mesma aldeia, comunicam-se exclusivamente em Guarani. A comunidade Mbyá mantém fortes laços de parentesco entre si, e não se mistura com não-índios. Há solidariedade entre as famílias, que realizam projetos comunitários como a plantação e o preparo de alimentos, muitas vezes provenientes do mesmo lixão, em cozinhas coletivas.
 Numa manhã de abril de 1999, as crianças Joacir, de três anos, Edson, oito, e Angelina, cinco, brincavam de “ambulância”. Estavam reunidas no terreiro ao redor da casa do avô, o pajé Henrique Firmino, que observava tudo da cozinha da família, uma construção de madeira sem paredes e coberta de sapé. Alzira Fernandes, a mulher do pajé, preparava sopa de macarrão enquanto balançava na rede o neto Claudinei, de apenas um mês, espantando as moscas que insistiam em pousar sobre o pequeno com um trapo.
 As casas Mbyá estão localizadas ainda mais próximas ao lixão, na porção leste da terra indígena. Em outra rede, Jovelina da Silva embalava o filho Jurandir, de um ano e meio, recém-chegado do pronto-socorro, onde foi tratado de queimaduras. Albino, Jurandir não resistiu ao sol quente de um dia inteiro, enquanto os pais trabalhavam no lixão. A criança só foi atendida no pronto-socorro depois de duas tentativas fracassadas, em que a mãe passou horas esperando pelo tratamento que não aconteceu.
 Estirado numa folha de bananeira, fora da cozinha, “jazia” o irmão de Jurandir, Joacir, de três anos e apenas dez quilos -- quando deveria pesar no mínimo quatorze quilos.  Joacir estava “muito doente”, segundo a “médica” Angelina, de cinco anos, que deveria aplicar-lhe uma “injeção”. Joacir fingia chorar. O “motorista” Edson, de oito anos, corria puxando a folha de bananeira ao redor da casa do avô pajé, fazendo o ruído da sirene de uma ambulância. De repente, Angelina transformou-se na “mãe”, e sentou-se sobre a folha de bananeira para acompanhar o filho no pronto-socorro.
 Edson não aceitou esta parte da brincadeira e passou a puxá-la pelo braço, para que se levantasse. A menina insistiu e abraçou o pequeno Joacir, mostrando-se irredutível. Foi quando Edson passou a jogar terra nos dois. Angelina largou o “filho” e correu para a casa do avô, perseguida pelo irmão. Joacir limpou o rosto e correu atrás dos outros para a opy, casa de reza.
 Para Mariano Tupã Mirim, que traduzia ao meu lado algumas expressões usadas pelas crianças, tratava-se apenas de uma nhe waga, brincadeira. Palavras dele: “Eles estão indo para o hospital porque o menino está doente. Como acontece de verdade, a ambulância às vezes vêm buscar doentes e leva para internação em Mongaguá. Se o doente não está muito doente, o médico dá uma injeção e manda de volta para a aldeia. Se está ruim, manda internar. Só isso”.
 A conversa com Edson, porém, revelou detalhes dramáticos da situação. Mostrou que a brincadeira não era simples fantasia, mas uma encenação de como as crianças interpretam a constante peregrinação pelos prontos-socorros e hospitais da região. Edson explicou estar brincando de hospital e contou que Angelina não queria o “filho” Joacir indo sozinho na ambulância, porque “depois não sabe o hospital para onde levaram o filho e ela fica doente da cabeça”. O menino afirmou por que jogou terra em Joacir: ”Se não vai para o hospital, morre. Mas quando vai, morre também. Então enterra logo no cemitério”.
 As crianças brincavam sob o impacto da morte de Adilson da Silva, de quatorze meses, primo delas. O pequeno morrera de desnutrição e desidratação no Hospital Municipal de Mongaguá, após três dias de internação. Como quase todas as outras 48 crianças Guarani Mbyá até doze anos de Itaóca, Adilson apresentava baixo peso e estatura (menos de seis quilos, ao invés dos onze que deveria ter), abdome inchado e pele flácida.  Como Edson, Angelina e Joacir, Adilson também teve, na estação das chuvas, febre intermitente, vômito e diarréia, além de verminose e escabiose generalizada. São problemas causados pela fome, a proximidade com o lixão e a ausência de assistência.  A incidência dessas doenças é tão generalizada que os próprios Guarani não a identifica como “problema de saúde”. Se perguntados sobre a saúde das pessoas ou doenças das crianças, não dão importância a não ser que haja sintomas mais graves, como pneumonia -- febre alta seguida de prostração, forte dor e dificuldade de respirar, ou eventual perda de sentidos.
 No dia da morte de Adilson, outras duas crianças Guarani, Graciano Silveira e Florentina Gabriel, também desnutridas e com verminose, aguardavam, no Pronto Socorro Agenor de Campos, em Mongaguá, vagas para internação em hospitais de Santos ou Praia Grande, cidades vizinhas. Graciano, com um ano, sete quilos e  bronco-pneumonia, mal conseguia sustentar a cabeça em pé. Florentina, quatro anos e dez quilos, órfã de pai, apresentava escabiose em todo o corpo e três tumores visíveis na cabeça.
 O menino Samuel Benites, de cinco anos e nove quilos e meio, também encontra-se em estado grave, com baixíssimo peso, desidratação, verminose e, segundo a mãe, “problemas de circulação nas pernas”. Samuel não anda, não fala e tem o olhar prostado. Já foi internado várias vezes em Itanhaém e na Praia Grande. A mãe, Arlinda Gomes, recusa-se a interná-lo novamente, “porque vai voltar morto, como os outros”.
  No mês anterior foi a vez de Márcio Aquiles, de um ano e seis quilos, outro Guarani que também faleceu de desnutrição. Antes dele, tinha sido Cleyton da Silva, de um ano e oito meses. E assim sucessivamente, uma por mês, as crianças de Itaóca vêm morrendo de fome  e enfermidades como a desidratação, a pneumonia e a tuberculose, agravadas pela desnutrição, todas doenças provocadas pelas condições de miséria do povo. São mortes silenciosas, que ninguém fica sabendo. São crianças que não tiveram certidões de nascimento nem de óbito. São brasileirinhos que não entraram nas estatísticas oficiais que, todos os anos, apontam melhorias nos índices de mortalidade infantil. As crianças indígenas de Itaóca são enterradas, por ironia, no Cemitério da Igualdade, perto da terra indígena.
 O retrato traçado pelas crianças Guarani das condições de vida na aldeia mostra uma realidade trágica. Angelina teve medo da separação e abraçou o “filho” Joacir, deitado na folha de bananeira. Poderia nunca mais ver a criança. Sabe que os pais não podem acompanhar os filhos na ambulância do Pronto Socorro (PS) Agenor de Campos, a apenas quatro quilômetros da Aldeia Itaóca. Ao chegar ao pronto-socorro, as crianças recebem, invariavelmente, o seguinte “tratamento”: uma dose injetável de 600 miligramas de Benzetacil (à base de ampicilina, do laboratório White House), conforme presenciei pessoalmente em todas as 17 vezes que acompanhei crianças ao PS Agenor. Conforme explicação dos médicos, o procedimento é adotado porque o antibiótico é potente, de largo espectro e efeito prolongado. De acordo com o médico Rogério Tabet, do PS Agenor, “Benzetacil é o melhor remédio que tem para índio, porque o principal problema deles é falta de higiene”. Em nenhuma ocasião foi feito teste de reação alérgica ao medicamento, para prevenir efeitos colaterais como o choque anafilático, que produz paradas respiratória e cardíaca e pode matar. O médico é o mesmo que admitiu não ir até a aldeia com medo de ser infectado pelos índios.
 Há, ainda, o drama da falta crônica de vagas nos hospitais da Baixada Santista, também retratado na encenação das crianças. Na vida real, os pequenos são obrigados a esperar, sozinhos, a desocupação de um leito, que pode levar alguns dias. Ficam em macas nos corredores do pronto-socorro, recebendo soro intravenoso. Os pais não são avisados sobre o destino das crianças, que podem ser encaminhadas para o Hospital Municipal de Mongaguá, a Santa Casa de Praia Grande, a Santa Casa de Santos ou o Hospital de Cubatão. O chamado jogo de puxa-empurra entre os municípios, a Fundação Nacional do Índio (Funai) e a Fundação Nacional de Saúde (FNS) contribui para a confusão: um responsabiliza o outro pela assistência, e a burocracia dificulta a comunicação com os índios. As crianças sofrem. Os agentes de saúde de Itaóca, que trabalham sem qualquer remuneração da FNS, gastam tempo precioso tentando localizar o paradeiro das crianças para, inclusive, poder visitá-las. Por vezes, a informação só é obtida quando já é tarde demais: o aviso do falecimento e o enterro no Cemitério da Igualdade.
 
Viajantes, missionários e o xondaro okayguá (dança na casa de reza)

 Doações de roupas, brinquedos usados, pães amanhecidos e até ossos bovinos dos açougues locais são frequentes em Itaóca. A chegada de uma caminhonete da Igreja Evangélica Assembléia de Deus, com balas, pirulitos e brinquedos causou alvoroço entre as crianças Guarani, em março de 1999. Presenciei a distribuição da mercadoria aos pequenos que, em fila, agradeciam, em alguns casos, com um “Deus lhe pague”. Em seguida, orientados a sentar em círculo, ouviram “Chuvas de Graça”, hino do livro Harpa Cristã.
 Adultos e crianças se dispersaram pela aldeia, levando para casa  os presentes. Permaneci em frente à casa de Zeferina Fernandes e Antonio Pires de Lima, próxima à entrada da terra indígena, observando como os filhos do casal, Mizael, Florentina e Izael, de sete, quatro e dois anos, e outras crianças, como os irmãos Dirceu e Kátia, de onze e dez anos, lidavam com os brinquedos de plástico e os doces.
 Florentina e Izael encheram três pequenos caminhões de balas e passaram a conduzi-los, em fila, ao redor de uma fogueira semi-apagada, onde a avó havia cozido um pouco de feijão. Florentina dizia: “Tembi’u ma owa? ma!”, a comida está chegando! Izael notou que eu observava, apanhou uma bala e me entregou. Perguntei sobre o que estavam brincando. O menino respondeu: “ Vou visitar os parentes”.
 Outras crianças se juntaram à brincadeira. Dirceu e Kátia, os mais velhos, chupavam pirulitos e cantarolavam trechos do hino evangélico, enquanto despiam bonecas de plástico. Colocaram-nas no chão e passaram a trocar balas entre si, colocando algumas nos caminhões de plástico. Neste momento, Mizael, de sete anos, saiu da casa dos pais, fumando cachimbo e cantando em Guarani. Trocou algumas palavras com Dirceu e Kátia, de olhos fixos nos brinquedos. Cuspiu duas vezes no chão e passou a soprar fumaça de tabaco nas bonecas despidas. As crianças observavam Mizael dar as baforadas nas bonecas e cantaram a mesma música em Guarani. Chegou Zeferina, mãe de Mizael, Florentina e Izael, e lembrou que estava na hora do xondaro okayguá, a dança na casa de reza.
 As crianças enrolaram os doces nas próprias roupas e saíram em disparada morro acima, em direção à opy. Zeferina explicou: “As crianças praticam o xondaro, que faz parte da religião Guarani. É para a criançada ter saúde, ficar forte e aprender a vida Guarani. As crianças dançam e cantam, vão aprendendo. Mas xondaro mesmo é nome de guerreiro. Antigamente era assim, a gente guerreava. Hoje as crianças estão aprendendo outras coisas de xondaro, para não esquecer a cultura”.
 Perguntei se havia muitos Guarani interessados na religião evangélica. Zeferina respondeu: “Quer dizer que a gente respeita a religião dos outros, deixa eles vir aqui, cantar, dar presente. Mas a religião Guarani é sagrada, nunca a gente vai abandonar. Criançada, então, adora o xondaro. Esse jeito de cantar música de missionário é só brincadeira”.
 Aceitei o convite do cacique Luiz de Souza Karaí para assistir o xondaro, na casa de reza, onde quinze crianças entre dois e quatorze anos dançaram e cantaram em Guarani durante quase duas horas, ao som do violino de Sílvio de Souza, irmão do cacique e aprendiz de pajé. As músicas entoadas versam, segundo o cacique Luiz, sobre Nhanderu, o criador; o Nhande Reko, a vida sagrada Guarani; e a Ywy mara e ‘ y, a Terra-Sem-Mal, localizada rovai jajapyra, do outro lado do oceano.
 Terminada a cerimônia, pedi às crianças envolvidas na brincadeira em torno da fogueira para explicarem o que estavam fazendo. Kátia, a menina de 12 anos, disse que brincava de missionária com as bonecas de plástico. Mizael contou que soprava fumaça nas bonecas e perguntava sobre o lugar sagrado de onde elas vieram (mamõ tetã guireju?). O objetivo, segundo ele, era torná-las Guarani. A pequena Florentina afirmou estar levando comida para os parentes da Aldeia Pindoty, em Pariquera-Açu, porque “eles têm muita fome”. Perguntado sobre a importância do xondaro,  Mizael explicou que “xondaro pode ajudar a ir para o outro lado do oceano, porque lá não tem fome, tem muita comida”.
 

Terra, reciprocidade e Nhande Reko
 
 A bibliografia sobre os povos Tupi -- os primeiros a ser encontrados pelos portugueses ao longo da costa brasileira -- está recheada de informações sobre crianças, definidas como “miniaturas de um mundo adulto” (Fernandes 1951:224) e “adultos em ponto pequeno” (Baldus 1937:44). No capítulo dedicado ao “Indivíduo e Família”, do clássico Aspectos Fundamentais da Cultura Guarani, Egon Schaden (1974:60) chega a classificar como “quase nula a cultura infantil Guaraní. Poucos são os brinquedos que não se reduzem à imitação de atividades dos adultos”.  A cultura Guarani e as culturas de outros grupos Tupi aparecem como um todo homogêneo, compartilhado pelas crianças, que se limitam a aprender e a aceitar as normas de comportamento aprovadas pela tradição. Esta perspectiva não atribui à criança consciência social própria, nem tampouco intencionalidade de reinventar o próprio mundo em que vive, usando elementos do passado para dar conta do presente. A exceção fica por conta da trágica presença de crianças e adolescentes Guarani Kaiowá como protagonistas de estudos sobre o suicídio do povo, que atingiu índices alarmantes nas últimas décadas.
 As atividades infantis não são apenas “jogos”, mas críticas a situações e inclusive propostas de soluções desejáveis para o futuro. É o que transparece na escolha da nova profissão de Diego, o cantor, que não quer ser cortador de banana nem catador de latinha como o pai. É o que fica claro na opção de Angelina e Joacir, que preferem a casa de reza em vez da ambulância e do hospital. É o que ensina a generosidade de Florentina e Izael, ao dividir os doces de Itaóca com os parentes da Aldeia Pindoty, que também passam fome. As crianças procuram maneiras de reestabelecer a economia de reciprocidade Guarani, cujo princípio-chave é a obrigação de dar, receber e retribuir.
 A reciprocidade Guarani manifesta-se de forma paradigmática, com a generosidade na oferta de alimentos (Melià 1987). Neste sentido, não ter o que comer é menos grave do que não ter o que ofertar. O pajé Cândido Ramirez, da Aldeia Itaóca, com 88 anos de idade em 1999, expressa a frustração:
Eu estou quase parando de trabalhar, porque não tenho nada para oferecer, nem para você, nem para ninguém. Como é que eu vou viver o Nhande Reko pobre desse jeito? Criança chora de fome, não consegue tomar só chimarrão. A gente luta e não consegue o sustento. Então estou passando o serviço para o Henrique Firmino [o atual pajé], que é mais moço e tem mais força do que eu.

 O carregamento de doces destinado pelas crianças à Aldeia Pindoty, é emblemático da tentativa de renovar o ciclo da reciprocidade Guarani entre as aldeias. Este ciclo tem resistido à situação de miséria absoluta dos Guarani do litoral, conforme explicou o cacique de Pindoty, Ângelo Silveiro, em junho de 1998:
Antes de mudar para Pindoty, a gente catava resto de comida na feira de Cananéia ou de Pariquera-Açu, para não faltar alimento para ninguém. A gente dava para os Guarani de Rio Branco,  porque eles têm muita fome também. A terra deles é ruim. Guarani é assim, divide tudo o que tem. O prefeito de Pariquera concordou com a nossa mudança para Pariquera com a condição da gente não catar coisa do lixo nem pedir esmola na rua. Então ficou mais difícil conseguir as coisas. Mesmo assim, quando eu ganho um saco de feijão, eu divido com todos da aldeia, mesmo que cada um só ganhe um grãozinho. Então a gente quer fazer desta terra nova uma terra boa, para poder ter fartura e dividir com os outros Guarani.

 A reciprocidade Guarani emerge, aqui, não como um estado em si, mas como uma história que as crianças -- e os adultos -- tentam recriar diariamente, em atividades aparentemente simples mas que têm significados. Um deles está intimamente relacionado à situação de exclusão social em que se encontram vários povos indígenas no Brasil (Leite 1995, Ferreira 1999e, Verdum 1995). A clareza com que as crianças retratam esta situação carrega uma grande lição: mesmo vivendo em condição de pobreza absoluta, os Guarani praticam a reciprocidade, ajudando-se mutuamente, dividindo o pouco que têm com o vizinho faminto, mesmo sabendo que podem ficar sem nada amanhã.
 A atenção ao universo infantil mostra que, apesar da aparente negativa, os índios passam fome e investem na melhoria das condições de vida. Mais ainda: as performances infantis revelam que o sofrimento do povo não é condição intrínseca para a ascenção ao paraíso mítico Guarani.
 As atividades lúdicas das crianças mostram que a aparente concepção trágica e melancólica do mundo pode muito bem ser “uma mistura muito sutil de esperança e desânimo, paixão e ação, e que sua aparência negadora oculta uma poderosa força afirmativa: em meio à sua miséria os homens são deuses” (Viveiros de Castro 1987: xxiv). Esta força afirmativa seria a fonte provável do poder invocado por Mizael, ao tentar transformar os missionários evangélicos em xondaro, os guerreiros Guarani.
 Para terminar, reproduzo o trecho de uma carta que foi enviada, em julho de 1999, pelo agente de saúde Mariano Tupã Mirim, em resposta à minha pergunta sobre a situação das crianças de Itaóca. Mariano escreveu:
As crianças não vão à escola porque não temos. Mesmo assim as crianças brincam na casa de reza. Elas aprendem muito com o pajé, a história como era antigamente: as crianças brincavam, dançavam e trabalhavam. Depois o tempo foi mudando e agora precisam aprender a ler, escrever e viver documentado, porque todos os dias nós precisamos de documentos.

Muitas crianças não gostam de ser ensinadas na religião dos brancos, porque todos nós índios precisamos possuir a nossa cultura. Porque a lei [Guarani] não permite que nós esqueçamos, deixar a cultura de lado. Crianças pensam isso e não gostam. Desde que eu cheguei na Aldeia Itaóca, já muitos [missionários] querem ensinar as crianças na religião deles, mas ninguém conseguiu.
 


 Referências bibliográficas

Almeida, Rubem
1988  “Breves comentários sobre saúde e relações de contato: os guarani brasileiros”. Saúde em Debate. Edição especial: A saúde do Índio. Janeiro de 1988:28-32.

Baldus, Herbert
1937  Ensaios de Etnologia Brasileira. Biblioteca Pedagógica Brasileira. Brasiliana, vol. 101. São Paulo: Cia. Editora Nacional

Brandão, Carlos Rodrigues
1992 (?)  Os Guarani: índios do sul. Religião, resistência e adaptação.  Novos Estudos 4(10):53-90.

Chamorro, Graciela
1998  A espiritualidade Guarani: uma Teologia Ameríndia da palavra. São Leopoldo, RS: IEPG/Ed. Sinodal.

Cherobim, Mauro
1986  Os índios Guarani do litoral do estado de São Paulo: análise antropológica de uma situação de contato. São Paulo: FFLCH-USP.

Clastres, Hélène
1995 [1975] The Land-Without-Evil. Tupi-Guarani Prophetism. Urbana and Chicago: University of Illinois Press.

Clastres, Pierre
1978 [1974]  A Sociedade contra o Estado. Pesquisas de Antropologia Política. Tradução do francês de Theo Santiago. Rio de Janeiro: Francisco Alves Editora.

COMIN  1998
Discussões sobre a situação de saúde dos Mbyá Guarani no Rio Grande do Sul. Rojogueroayvu Mba´e Achy Rekore Orekua I Va´e Rio Grande Pygua Mbya-Guaranikuéry São Leopoldo, RS: COMIN (Conselho de Missão Entre Índios).

Fernandes, Florestan
1951  A função social da guerra na sociedade Tupinambá. Revista do Museu Paulista, vol. VI, pp. 7-425. São Paulo.

Ferreira, Mariana K. L.
1998a  “Slipping Through Sky Holes. Yurok Perceptions of the Body in Northern California” Culture, Medicine and Psychiatry (Publicação da School of Social Medicine, Harvard University) 22(2):171-202.

_____ 1998b “Fome ameaça populações indígenas em São Paulo.”Parabólicas  São Paulo: Instituto Socioambiental (ISA) 44(5):12.

_____  1999a  “Corpo e História do Povo Yurok”. Revista de Antropologia Universidade de São Paulo vol 41 (2): 17-39.

_____  1999b (no prelo) “Morrem as crianças de Itaóca” Porantim. Em defesa da causa indígena. Brasília.

_____  1999c  “Guarani catam comida e latinhas no lixão de Mongaguá”. Últimas Notícias. Boletim on-line do Instituto Socioambiental (www.socioambiental.org.br), julho/agosto de 1999.

_____  1999d Saúde Indígena em São Paulo. Relatório de conclusão da pesquisa “Saúde Indígena na Escola”, desenvolvida no âmbito do Projeto “Antropologia, História e Educação: A questão indígena e a escola”, do MARI - Grupo de Educação Indígena da USP, ms, (FAPESP, processo nº 94/3492-9).

_____  1999e “Pobreza causa diabetes em índios”. Parabólicas, nº 52, jul/ago 1999, São Paulo: Instituto Socioambiental.

Gregor, Thomas
 1982 [1977] Mehináku. O drama da vida diária em uma aldeia do Alto  Xingu. Tradução do inglês de Vera Penteado Coelho. São Paulo:  Editora Nacional.

Meihy, José Carlos S. B.
1991  Canto de morte Kaiowá: História oral de vida. São Paulo: Edições Loyola.
____1994  “Morte como apelo para a vida: o suicídio Kaiowá”. In: R. dos Santos & C. Coimbra Jr, orgs. Saúde e Povos Indígenas no Brasil. Rio de Janeiro: Ed. Fiocruz.

Melià, Bartomeu
1987  “La Tierra Sin Mal de los Guarani: Economia e Profecía”.
Ms. Paraguay.

Leite, Jurandyr C.F.
1995  A situação da fome nas terras indígenas - Sul/Sudeste. Mapa da fome entre os povos indígenas no Brasil (II). Brasília: INESC-PETI/MN - ANAÍ/BA, pp. 40-45.
 
Leme, Maria Carolina e Ciro Biderman
1997  O mapa das desigualdades no estado de São Paulo. Novos Estudos CEBRAP, nº 49: 181-211, nov. 1997.

Lévi-Strauss, Claude
1969 [1949] The Principle of Reciprocity. The Elementary Structures of Kinship. Rodney Needham, ed., pp. 52-68. Boston: Beacon Press.

Marques R.M.; E. Marcondes; E. Berquó; R. Prandi; J. Nunes
1982  Crescimento e Desenvolvimento Pubertário em Crianças e Adolescentes Brasileiros. São Paulo: Editora Brasileira de Ciências.

Martins, Sandro J. & Raimundo C. Menezes
1994  Evolução do estado nutricional de menores de 5 anos em aldeias indígenas da tribo Parakanan, na Amazônia Oriental Brasileira.  Revista de Saúde Pública  28(1):1-8, Fev. 1994.

Métraux, Alfred
1979 [1928] A Religião dos Tupinambás. Brasiliana, vol. 267. São Paulo: Cia. Editora Nacional e EDUSP.Tradução do francês de Estêvão Pinto.
_____ 1948 The Guarani. In: J. Steward, ed. Handbook of South American Indians, vol. 5, pp. 559-599. Bulletin 143. Bureau of American Ethnology. Washington: Smithsonian Institution

Monteiro, John
1984  Vida e morte do índio: São Paulo colonial. In: Índios no Estado de São Paulo: Resistência e Transfiguração. São Paulo: Yankatu Editora/CPI-São Paulo.

Morais, Mauro B., Ulysses Fagundes Neto, Roberto G. Baruzzi, Mariângela Prado, Jamal Wehba e Wagner Silvestrini
1990  Estado Nutricional de crianças índias do Alto Xingu e avaliação do uso do perímetro braquial no diagnóstico da desnutrição protêico-calórica. Revista Paulista de Medicina 108(6): 245-51, Novembro-Dezembro 1990.

Nunes, Angela
1997 A Sociedade das Crianças A’uwe Xavante: Por uma Antropologia da Criança. Dissertação de Mestrado. Universidade de São Paulo.

Santos, Ricardo V
1993  Crescimento físico e estado nutricional de populações indígenas. Cadernos de Saúde Pública 9(supl.1):46-57.

Schaden, Egon
1974 [1962]  Aspectos Fundamentais da Cultura Guarani. São Paulo: Editora Pedagógica e Universitária/EDUSP.

Toren, Christina
1993  Making history: The significance of childhood cognition for a comparative anthropology of the mind. 
Man  28(3): 461-478.

Unkel, Curt Nimuendaju
1987 [1914] As lendas da criação e destruição do mundo como fundamentos da religião dos Apapocúva-Guarani. Tradução do alemão de Charlotte Emmerich e E. Viveiros de Castro. São Paulo: HUCITEC - EDUSP.

Verdum, Ricardo
1995  Introdução.  Mapa da fome entre os povos indígenas no Brasil (II). Brasília: INESC-PETI/MN - ANAÍ/BA, pp. 7-15.

Viveiros de Castro, Eduardo
1987 Nimuendaju e os Guarani. In: Unkel, Curt Nimuendaju As lendas da criação e destruição do mundo como fundamentos da religião dos Apapocúva-Guarani. São Paulo: HUCITEC - EDUSP.

Williams, Sue Rodwell
1997  Fundamentos de Nutrição e Dietoterapia. Porto Alegre: Artes Médicas.