LIVROS DIDÁTICOS E FONTES DE INFORMAÇÕES SOBRE 
AS SOCIEDADES INDÍGENAS NO BRASIL

Texto é de Luiz Donizete Grupioni -  extraído da Biblioteca Virtual da USP


Introdução 

Em 1969, o dia do índio caiu num sábado(1). Naquele ano, uma conhecida cientista brasileira, então diretora do Museu Nacional do Rio de Janeiro, D. Heloisa Alberto Torres, elaborou, para o Ministério do Interior, o ''Anteprojeto das Atividades Comemorativas" para celebrar a data. Este previa três diferentes frentes de ação. A primeira visava atingir o corpo diplomático de alguns países americanos, através de um ato público junto à estátua de Cuautemoc, localizada numa praça do Rio de Janeiro. A segunda frente priorizava os estudantes de algumas capitais brasileiras, cujas escolas públicas e particulares deveriam realizar pequenas cerimônias para lembrar a data. Para tanto, as prefeituras e secretarias de educação receberiam textos específicos de acordo com os níveis de ensino (primário, secundário e superior). Por fim, o projeto previa atingir o público em geral através dos órgãos da imprensa escrita e falada. As grandes estações de rádio e televisão seriam contatadas para que cedessem alguns minutos para a divulgação de informações sobre os índios. Solicitar-se-ia das casas comerciais e de alguns negociantes de jóias, que expusessem livros e artefatos indígenas em suas vitrines. O anteprojeto previa ainda uma relação de nomes de antropólogos e escritores que poderiam colaborar com as comemorações: Carlos Drummond de Andrade, Eduardo Galvão, Gilberto Freyre, Herbert Baldus, Luiz da Câmara Cascudo, Maria Júlia Porchat, Rachel de Queiroz, Rodrigo Mello Franco de Andrade, entre outros. 
O caráter deste "projeto celebrativo" sugere uma articulação de elementos que mereceriam ser investigados num estudo voltado às representações do índio em nossa sociedade. Que papel desempenham os meios de comunicação na produção de informações sobre a questão indígena atual e que índio é esse veiculado pela imprensa nacional? Que tipo de conhecimento a escola transmite sobre aqueles que são diferentes de nós e em que consiste esta diferença? Quais as imagens construídas pela literatura, pela música, pela poesia e pela historiografia do índio brasileiro? Qual a visão dos dirigentes políticos face aos ''problemas'' indígenas? 
Todas essas questões deveriam ser enfrentadas se nos colocássemos a tarefa de dar conta das representações dos índios brasileiros presentes em nossa sociedade. Mas o escopo deste artigo é menor. Aqui, pretende-se apresentar uma reflexão sobre a forma pela qual os manuais didáticos usados na escola ajudam a formar uma visão equivocada e distorcida sobre os grupos indígenas brasileiros. Para tanto empreenderemos uma crítica aos livros didáticos em uso, apontando algumas de suas deficiências mais recorrentes. Essa crítica será precedida por algumas considerações sobre o preconceito e a discriminação e será seguida por um levantamento detalhado e sucinto de fontes confiáveis de informações sobre os índios. 

Nosso ponto de partida é que, apesar da produção e acumulação de um conhecimento considerável sobre as sociedades indígenas brasileiras, tal conhecimento "ainda não logrou ultrapassar os muros da academia e o círculo restrito dos especialistas. Nas escolas a questão das sociedades indígenas, freqüentemente ignorada nos programas curriculares, tem sido sistematicamente mal trabalhada. Dentro da sala de aula, os professores revelam-se mal informados sobre o assunto e os livros didáticos, com poucas exceções, são deficientes no tratamento da diversidade étnica e cultural existente no Brasil (...). As organizações não-governamentais. que têm elaborado campanhas de apoio aos índios e produzido material informativo sobre eles, têm atingido uma parcela muito reduzida da sociedade'' (Grupioni, 1992: 13)(2). Assim, apesar da ampliação, nos últimos anos, do número daqueles que escrevem sobre os índios e de algumas tentativas de produção de materiais de divulgação, constatamos que o conhecimento produzido não tem tido o impacto que poderia ter: os índios continuam sendo pouco conhecidos e muitos estereótipos sobre eles continuam sendo veiculados. A imagem de um índio genérico, estereotipado, que vive nu na mata, mora em ocas e tabas, cultua Tupã e Jaci e que fala tupi permanece predominante, tanto na escola como nos meios de comunicação. 
Os próprios índios têm se dado conta desta situação e começam a reivindicar uma nova forma de relacionamento com o Estado e com segmentos da sociedade envolvente com os quais estão em contato. Nos encontros de professores indígenas, que têm acontecido em todo o território nacional, estes além de discutirem a situação de suas escolas, têm também se pronunciado sobre este tema. No documento final do I Encontro Estadual de Educação Indígena do Mato Grosso, realizado em maio de 1989, os professores indígenas daquele estado registraram como uma de suas conclusões, que "a sociedade envolvente deve ser educada no sentido de abolir a discriminação histórica manifestada constantemente nas suas relações com os povos indígenas ". Os professores indígenas de Rondônia, também reunidos por ocasião de seu I Encontro em 1990, no documento que encaminharam aos Senadores da República, solicitaram a colaboração destes "para que se respeite os índios e suas culturas nas escolas não-indígenas e nos livros didáticos''. Na ''Declaração de Princípios dos Povos Indígenas do Amazonas, Roraima e Acre'', escrita em julho de 1991 pelos professores indígenas e reafirmada em outubro de 1994, está firmado como princípio que "nas escolas dos não-índios, será corretamente tratada e veiculada a história e cultura dos povos indígenas brasileiros, a fim de acabar com os preconceitos e o racismo ". 


Definindo preconceito e discriminação

Nossa constatação de que a compreensão das sociedades indígenas no Brasil se dá num quadro de desinformação marcado pelo preconceito e discriminação, nos impele aqui a procurar definir o que entendemos por estes conceitos. 
Começamos pela definição de preconceito. De acordo com a Enciclopédia Internacional de Ciências Sociais, preconceito é "um juízo ou conceito formado antes de haver reunido e examinado a informação pertinente e, portanto, normalmente baseado em provas insuficientes ou inclusive imaginárias"(Klineberg, 1976:422)(3). Trata-se, assim, de um conceito antecipado, de uma opinião que se forma sem conhecimento total dos fatos e sem a preocupação de uma reflexão mais apurada sobre o assunto. O preconceito implica, ainda segundo a definição constante nesta enciclopédia, "também numa atitude em favor ou contra, na atribuição de um valor positivo ou negativo, num componente afetivo ou sentimental. Em geral, existe também uma predisposição a expressar, mediante certos atos esses juízos e ou sentimentos''. Assim, concluímos a definição de preconceito "como uma opinião não justificada, de um indivíduo ou grupo, favorável ou desfavorável, e que leva a atuar de acordo com esta definição'' (idem, 422). 
Embora se possa ter preconceito em relação a uma infinidade de coisas (alimentos, pessoas, status, órgãos do governo, etc.), o preconceito tem sido, na maioria das vezes, relacionado com ''populações ou grupos étnicos caracterizados pela presença de certas peculiaridades físicas hereditárias (raça, por exemplo), ou por diferenças de idioma, religião, cultura, origem nacional" (idem, 422). Pode, ainda, resultar da combinação de várias destas características com outras, como profissão, status social, grau de instrução, etc. O preconceito, e conseqüentemente a discriminação, ocorrem elencando-se, portanto, diferentes atributos (cor, origem, língua, religião, convicção política). São, assim, vários os critérios utilizados para discriminar. 
A discriminação é, neste sentido, um tratamento desfavorável dado arbitrariamente a certas categorias de pessoas ou grupos, que pode ser exercido de forma individual ou coletiva, sobre um indivíduo ou um grupo de pessoas. A discriminação pode acontecer em dois sentidos: no trato desigual dado a indivíduos ou grupos que são iguais. Por exemplo, a discriminação que os negros sofrem no preenchimento de uma vaga de emprego, por haver candidatos brancos. E há também o trato igual dado aqueles que são desiguais. Como por exemplo, uma escola que recebe uma clientela variada, e nivela todos os alunos pelo nível dos que têm uma condição sócio-econômica melhor, ignorando aqueles que são carentes e considerando todos iguais (Cf. Yinger, 1976:430-431)(4). 
Preconceito e discriminação são atitudes que acabam, muitas vezes, engendrando hostilidade, de uma parte da população dominante sobre outros grupos étnicos ou minorias, gerando muitas vezes situações de conflito e de violência. O Regime Nazista na Alemanha e o Apartheid na África do Sul são os exemplos mais extremos destas formas de violência(5). 
Reflitamos, agora, sobre as causas do preconceito. O fato dos preconceitos estarem de tal forma disseminados pelo mundo, pode levar algumas pessoas a pensarem que estes são universais, naturais, e mesmo, que faz parte da natureza humana uma certa "antipatia frente ao que é diferente" (Klineberg, 1976:423). Vejamos, a partir de algumas idéias geradas pela Antropologia, ciência preocupada com o estudo da natureza humana, como esta suposição pode ser refutada. 
Em primeiro lugar, nunca é demais insistir no fato de que a humanidade é composta por uma rica variedade de grupos humanos. Todos estes grupos humanos têm uma capacidade específica para atribuir significados a suas experiências de vida, à fenômenos da natureza ou da realidade social, às condutas dos animais e também das pessoas. Os significados atribuídos podem variar muito de grupo para grupo. O conjunto de significados explicativos da realidade compõe um código simbólico, que é próprio de cada cultura (Cf. Lopes da Silva, 1988: 6-8)(6). Essa capacidade comum a todos os seres humanos de criar significados, é o que chamamos de cultura. E é a cultura que nos diferencia dos animais, criando uma igualdade entre todos os Homens. 
Por outro lado, esta capacidade de atribuir significados não é algo parado no tempo. Assim como a realidade se transforma, o homem deve buscar novos símbolos que possam traduzir o significado que estas novas realidades têm para ele. E deste modo que as culturas vão se modificando, no processo histórico que transforma os próprios grupos humanos. É comum cada um destes grupos ''considerar a sua própria visão das coisas como a mais correta; como aquilo que é realmente 'humano', 'civilizado', 'normal', 'natural'" (Lopes da Silva, 1988: 8). 
Ao afirmarmos isto, queremos chamar a atenção para o fato de que cada cultura vê o mundo, através de pressupostos que lhe são próprios. E muitas vezes, não só vemos, como também julgamos. E é neste momento, em que tomamos nossos pressupostos (significados que damos às coisas e aos acontecimentos, valores pelos quais nos guiamos e regras que pautam nossas condutas) como padrões para julgarmos ou entendermos as outras culturas, que tomamos atitudes etnocêntricas (centradas na nossa cultura) e preconceituosas. Quase sempre, temos uma valorização positiva do nosso próprio grupo, aliado a um preconceito acrítico em favor do nosso grupo e uma visão distorcida e preconceituosa em relação aos demais. Precisamos, assim, perceber que somos uma cultura, um grupo, e mesmo uma nação, no meio de muitas outras. Que nossas explicações são particulares, específicas e diferentes das de outros grupos, que também têm as suas. E que as nossas são importantes e fundamentais porque são nossas referências para entendermos as situações que vivemos e para nos orientarmos: a partir delas formamos nossos princípios morais, nossos padrões de comportamento e nossas opiniões. 
Neste sentido, podemos entender o preconceito como uma tendência presente em determinados agrupamentos humanos, mas não como algo constitutivo da própria natureza humana. "A ausência de preconceitos entre as crianças, se bem que algumas destas possam adquiri-los em idade bem pequena como conseqüência do seu ambiente social, demonstra que é a aprendizagem e não a natureza humana que desempenha o papel dominante em seu desenvolvimento" (Harding et al. 1954, citado por Klineberg, 1976:423). 
O preconceito é assim, um comportamento aprendido, sendo que a criança adquire aqueles preconceitos que prevalecem em sua sociedade ou em seu grupo social, em diferentes fases de sua vida: na relação estreita entre pais e filhos; na relação entre professores e alunos; nas instituições sociais e meios de comunicação de massas que contribuem para reforçar, e mesmo criar atitudes predominantes (Cf. Klineberg, 1976:424). Preconceitos são assim adquiridos por diferentes processos e estão associados com idéias e atitudes presentes nas comunidades(7). 


O Livro Didático e os Índios 

Sabemos da importância da escola, e do espaço ocupado pelo livro didático, no processo de formação dos referenciais básicos das crianças da nossa sociedade. A historiadora Norma Telles mostra que é na infância e na adolescência, portanto, durante o período em que se freqüenta a escola, que se recebe uma série de informações sobre outras culturas e sobre outros povos. Poucos terão, após essa fase, oportunidade de aprofundar e de enriquecer seus conhecimentos sobre os outros seja através de viagens, romances, mostras de filmes internacionais, seja prosseguindo seus estudos. Neste contexto, o livro didático é uma fonte importante, quando não a única, na formação da imagem que temos do Outro. Alie-se a isto o fato do livro didático constituir-se numa autoridade, tanto em sala de aula quanto no universo letrado do aluno. É o livro didático que mostra com textos e imagens como a sociedade chegou a ser o que é, como ela se constituiu e se transformou até chegar nos dias atuais (Cf. Telles, 1987)(8). 
Cabe enfatizar que o livro didático é, muitas vezes, o único material impresso disponível para os alunos, cristalizando para ele, e também muitas vezes, por que não dizer, para o professor, parte do conhecimento a que eles têm acesso (Cf. Pinto e Myazaki, 1985: 165)(9). Cabe, então, perguntar como o livro didático trata a temática indígena: Qual é a imagem do índio nos livros didáticos? Como o livro didático transmite informações sobre outras culturas e sobre outros povos? 
Apresentamos, a seguir, as principais conclusões que historiadores, pedagogos e antropólogos chegaram em suas pesquisas. Para tanto, faremos uso de algumas análises de materiais didáticos empreendidas por historiadores e antropológos nos últimos anos, principalmente as conclusões de Rocha (1984), Pinto e Myazaki (1985), Almeida (1987) e Telles (1987). 


Principais críticas ao livro didático 

Um primeiro comentário se impõe: não é difícil encontrar nos livros didáticos afirmações, algumas vezes contundentes e fortes, contra o racismo e o preconceito e, portanto, encorajando os alunos a terem uma visão de "respeito e tolerância em relação aos grupos etnicamente diversos ". Há, em quase todos, uma valorização de ''uma nacionalidade que surge da diversidade". A congruência de três raças -brancos, negros e índios- na formação do povo brasileiro é sempre lembrada. Mas uma leitura mais atenta destes manuais mostra as dificuldades em lidar com a existência de diferenças étnicas e sociais na sociedade brasileira atual. O que normalmente fazem é recalcá-la para o passado (Cf. Almeida, 1987:14)(10). 
Pois bem, chegamos à primeira crítica ao livro didático: índios e negros são quase sempre enfocados no passado. Falar em índios é falar do passado, e fazê-lo de uma forma secundária: o índio aparece em função do colonizador. Mas que passado é este? 
E aqui a segunda critica: não se trata de uma história em progresso, que acumula e que transforma. É uma história estanque, marcada por eventos, eventos significativos de uma historiografia basicamente européia (Cf. Telles, 1987). 
Vejamos dois exemplos: poucos livros mencionam a questão da origem dos povos indígenas no continente americano. Para a maioria dos manuais, "a presença do índio neste continente não é problematizada, é um fato consumado''(Pinto e Myazaki, 1985: 170). Esses manuais privilegiam os feitos e a historiografia das potências européias, silenciando ou ignorando os feitos e vivência dos povos que aqui viviam. Isto resulta no fato do índio aparecer como coadjuvante na história e não como sujeito histórico, o que revela o viés etnocêntrico e estereotipado da historiografia em uso (Cf. Telles, 1987). 
Como entender, e aqui apresentamos o segundo exemplo, a data de 1492 ou 1500 como uma descoberta? O continente americano havia sido descoberto e habitado há milhares de anos atrás, quando as primeiras levas de homens saíram da Eurásia, passando pelo estreito de Bering e adentrando o continente americano pelo Norte. De lá, esses grupos migraram e ocuparam todo o continente. Assim, quando os europeus aqui chegaram, o continente americano vivia uma dinâmica própria, que foi substancialmente alterada com sua chegada. Mas não havia um mundo a ser criado OU à espera de seu descobridor. O conceito de descoberta só faz sentido se o entendermos dentro da perspectiva da historiografia européia. Como conceito, sua preocupação básica era o que ocorria na Europa, ignorando a história do continente americano (Cf. Telles, 1987). 
Ao desconsiderar a história do continente, os manuais didáticos erram pela omissão, redução e simplificação ao não considerar como relevante todo o processo histórico em curso no continente. Chegamos, assim, a uma terceira crítica à forma como os livros didáticos tratam os índios. Como isto se dá? 
Primeiramente pela forma como estas sociedades são tratadas: geralmente pela negação de traços culturais considerados significativos: falta de escrita, falta de governo, falta de tecnologia para lidar com metais, nomadismo, etc. Um segundo modo de operação deste mecanismo de simplificação é a apresentação isolada e des-contextualizada de documentos históricos que falam sobre os índios. Assim, cartas, alvarás, relatos de cronistas e viajantes são fragmentados, recortados e, porque não dizer, adulterados e apresentados como evidências, como relatos do passado, sem que sejam fornecidos ao aluno instrumentos para que ele possa filtrar aquelas informações e reconhecê-las dentro do contexto no qual elas foram geradas. É assim que, fatos etnográficos retirados do seu contexto, bem como iconografas da época, são apresentados, criando um quadro de exotismo, de detalhes incompreensíveis, de uma diferença impossível de ser compreendida e, portanto, aceita. É significativo, neste sentido, o fato de muitos livros didáticos usarem, basicamente, informações sobre os índios produzidas nos primeiros séculos da colonização, escritas por cronistas, viajantes e missionários europeus (Cf. Rocha, 1984:29)(11). 
Isto pode levar os alunos a concluírem pela não contemporaneidade dos índios, uma vez que estes são quase sempre apresentados no passado e pensados a partir do paradigma evolucionista, onde os índios estariam entre os representantes da origem da humanidade, numa escala temporal que colocava a sociedade européia. no ápice do desenvolvimento humano e a "comunidade primitiva'' em sua origem. Pode levar também a concluírem pela inferioridade destas sociedades: a achar que a contribuição dos índios para nossa cultura resumir-se-ia a uma lista de vocábulos e à transmissão de algumas técnicas e conhecimentos da floresta. 
Mas se é forte a apresentação dos índios no passado e como pertencentes a um tempo pretérito, fato é que a imagem do índio no livro didático não é una. Há diferentes imagens, contraditórias entre si, fragmentadas nos manuais escolares. Assim como também são fragmentados os momentos históricos nos quais os índios aparecem. Os livros didáticos produzem a mágica de fazer aparecer e desaparecer os índios na história do Brasil. O que parece mais grave neste procedimento é que, ao jogar os índios no passado, os livros didáticos não preparam os alunos para entenderem a presença dos índios no presente e no futuro. E isto acontece, muito embora, as crianças sejam cotidianamente bombardeadas pelos meios de comunicação com informações sobre os índios hoje. Deste modo, elas não são preparadas para enfrentar uma sociedade pluriétnica, onde os índios, parte de nosso presente e também de nosso futuro, enfrentam problemas que são vivenciados por outras parcelas da sociedade brasileira (Cf. Pinto e Myazaki, 1985). 
Não obstante essa multiplicidade de imagens, é interessante notar a recorrência e redundância de informações presentes nos livros didáticos. "Praticamente todos os livros informam coisas semelhantes e privilegiam os mesmos aspectos da sociedade tribal. Assim, todos os que leram aqueles livros saberão que os índios fazem canoas, andam nus, gostam de se enfeitar e comem mandioca, mas, por outro lado, ninguém aprenderá nada sobre a complexidade de sua vida ritual, as relações entre esta e sua concepção do mundo ou da riqueza de seu sistema de parentesco e descendência " (Rocha, 1984:27). 
Chegamos, assim, a mais uma crítica aos manuais didáticos: eles operam com a noção de índio genérico, ignorando a diversidade que sempre existiu entre estas sociedades. Eles são ''tratados como se formassem um todo homogêneo e como se a generalização fosse a maneira correta de estudá-los'' (Rocha, 1984:32). É evidente que as sociedades indígenas compartilham um conjunto de características comuns e que são estas características que as diferenciam da nossa sociedade e de outros tipos de sociedades. Mas estas sociedades são extremamente diversificadas entre si: cada uma tem uma lógica própria e uma história específica, habitam diversas áreas ecológicas e experimentaram situações particulares de contato e troca com outros grupos humanos. Têm, portanto, identidades próprias: "cada sociedade Indígena se pensa e se vê como um todo homogêneo e coerente e procura manter suas especificidades apesar dos efeitos destrutivos do contato. Um Guarani ou um Yanomami, apesar de índios, vão continuar se pensando como um Guarani e como um Yanomami" (Grupioni, 1992: 18). Essa verdade - de uma rica diversidade sócio-cultural indígena - não aparece nos livros didáticos.


O índio na história do Brasil

Voltemos às imagens contraditórias e fragmentadas, manipuladas pelos livros didáticos, para dar conta da presença do índio na nossa história (Cf. Almeida, 1987: 40-70). Recapitulemos, ainda que rapidamente, estas principais imagens. 
Num primeiro momento da nossa história que, de acordo com os livros didáticos, começa com a chegada dos europeus, os índios da colônia são cordiais e amigáveis: carregam o pau-brasil em troca de bugigangas e miçangas, ajudam os portugueses a construir fortes e casas que dão origem às primeiras povoações e ensinam os brancos a sobreviver e conhecer a nova terra. 
Logo em seguida, entretanto, os índios começam a atrapalhar a colonização. São os Tamoios que se aliam aos franceses e promovem ataques aos núcleos dos brancos. O brasileiro é o português, neste momento, os franceses são estrangeiros e os índios os aliados, ora do estrangeiro, ora do brasileiro (Cf. Almeida, 1987:45). De cordiais, os índios passam a ser traiçoeiros. 
A colonização exige, por sua vez, trabalho, e o índio é mão-de-obra utilizada em toda a colônia. Nesse momento a figura do índio aparece ligada à do bandeirante, que expande o território e resolve o problema da mão-de-obra, escravizando índios e depois recapturando negros fugidos (Almeida, 1987:47). Mas a escravidão negra só se inicia porque, como explicam vários manuais, o índio não era afeto ao trabalho: "eram preguiçosos" e sua índole para a liberdade não permitia que ele vivesse sob o jugo da escravidão. É nesse momento também que apareceu a figura do índio que deve ser "civilizado", ou melhor, "catequizado". Não são poucas as figuras que trazem Anchieta e Nóbrega com indiozinhos aos seus lados. 
Mas depois disto, o índio desaparece, não antes de nos legar algumas generalidades: são tupis, adoram Jaci e Tupã e moram em ocas e tabas. E também uma herança: ensinam algumas técnicas, como a queimada, a fabricação de redes e esteiras e nos deixam suas lendas. Eles viram uma herança cultural a ser resgatada pela nacionalidade (Cf. Almeida, 1987:64-65). Tempos depois, ao se falar da necessidade de ocupação dos espaços vazios, não se fala mais de índios. E como se o território do Centro-Oeste e do Norte do Brasil fosse virgem, como se ninguém morasse por lá (Cf. Almeida, 1987:37-40 e Telles, 1987:76-82). 
E é assim que chegamos aos índios atuais, isto quando chegamos, pois a maior parte dos livros didáticos não aborda a presença indígena no presente. Pulverizam-se dados, muitas vezes incorretos. Falam da existência de índios na Amazônia e no Xingu, lembram dos trabalhos de Rondon e dos Vilas-Boas e referem-se à FUNAI. 


Bons e maus selvagens 

Presentes em muitos manuais didáticos, essas imagens diversas e contraditórias dos índios parecem encobrir uma dicotomia que perpassa toda a história: ou há índios vivendo isolados na Amazônia e protegidos no Xingu ou já estão contaminados pela civilização e a aculturação é seu caminho sem volta. Esta dicotomia pode ser escrita de outra forma: ou estão no passado ou vão desaparecer em breve. Estas soluções apresentadas pelo livro didático nos remetem a duas perspectivas opostas e a eles sempre associadas: a do bom e mau selvagem. Sua origem talvez possa ser buscada nos primeiros anos do contato dos europeus com as populações do Novo Mundo, quando do célebre debate ocorrido em 1550 entre o dominicano Las Casas e o jurista Sepúlveda ou nas proposições filosóficas do século XVII representadas por Rousseau e Hobbes. O primeiro, argumentando que os índios representariam um estágio primitivo da humanidade, vivendo basicamente pelos seus instintos e o segundo, propagando a teoria da degenerescência, onde os índios viveriam num passado, numa era sem ordem e que só a civilização os levaria para o progresso. 
Bom e mau selvagem são imagens opostas e parecem catalisar o imaginário sobre os índios na nossa sociedade. Imagens cristalizadas ao longo de séculos, elas parecem, hoje, revelar algo de concreto e diante delas não se pode ficar indiferente: ou os índios são bons e é preciso que os protejamos tais como eles são, ou os índios são maus e é preciso trazê-los logo à "civilização". Um antropólogo francês revela que tais imagens tomam o homem civilizado como parâmetro para comparação. De um lado, há a figura do bom selvagem e do mau civilizado, que espelha uma fascinação pelo estranho e pela pureza, com valores e ideais a serem resgatados e, de outro, a figura do mau selvagem e do bom civilizado, marcando uma recusa do estranho, visto como um empecilho ao progresso da humanidade (Cf. Laplantine, 1988)(12). 
São imagens fortes as quais, todavia, não devemos tomar de forma tão polarizada ou monolítica, sob o risco de perder as nuances que efetivamente elas carregam. Neste sentido, os livros didáticos são criativos em mesclar tantas figuras diferentes e contraditórias, dando uma sensação de unicidade. Feita a ressalva, devemos reconhecer que estas duas imagens nos permitem uma aproximação da forma como a sociedade ocidental representa tais sociedades: contraditórias entre si, elas realizam uma simplificação da questão e demonstram a nossa incapacidade em compreender um outro, que é diferente, em seus próprios termos. É assim que a questão indígena tem estado envolta num ambiente de preconceito, intolerância e muita desinformação. 
A solução apresentada por vários livros didáticos parece ser a de que, na história do Brasil, este índio bom contribuiu para a colonização e deixou traços culturais para a nossa nacionalidade. Mas esse índio acabou por desaparecer. Já o índio mau, o índio problema, esse é o que ainda ocupa espaços e que atrapalha o desenvolvimento (Cf. Almeida, 1987:69-70). 
Enfim, a conclusão geral que podemos tirar disto tudo é que os manuais escolares continuam a ignorar as pesquisas feitas pela história e pela antropologia no conhecimento do outro, revelando-se deficientes no tratamento da diversidade étnica e cultural existente no Brasil, dos tempos da colonização aos dias atuais, e da viabilidade de outras ordens sociais. E é com esse material, equivocado e deficiente, que professores e alunos têm encontrado os índios na sala de aula. Preconceito, desinformação e intolerância são resultados mais que esperados deste quadro. 


Redução do preconceito(13) 

Para reduzir ou acabar com o preconceito e a discriminação é preciso gerar idéias e atitudes novas, num processo que deve ser levado tanto a nível individual como coletivo. Isso se faz com informações corretas e contextualizadas, que levem as pessoas a refletirem sobre suas posturas e atitudes cotidianas. Se levarmos em conta que atitudes preconceituosas implicam em apreciações feitas sem um conjunto de informações satisfatórias, é lógico esperar que, melhorando a informação, o resultado seja mudanças de atitude (Cf. Klineberg, 1976:427). Por outro lado, a explicitação dos mecanismos do preconceito e discriminação devem nos levar a analisar não somente nossas atitudes e idéias individuais, mas também nossas práticas coletivas de discriminação e de concordância e convivência com posturas discriminatórias e preconceituosas presentes no nosso dia-a-dia. 

Já afirmamos páginas atrás que os livros didáticos são deficientes no tratamento da diversidade étnica existente no Brasil, tanto em termos históricos como atuais. Vimos que um conjunto de informações incorretas, incompletas ou descontextualizadas sobre os índios acaba gerando ou reforçando o preconceito e a discriminação. Cabe, agora, nos perguntarmos como é possível reverter esta situação. Como é possível que a escola, que desempenha uma papel fundamental na formação do nosso referencial explicativo da realidade colabore na construção de uma sociedade pluriétnica, capaz de respeitar e conviver com diferentes normas e valores ? 
Parece-nos que o caminho é rever nossos conhecimentos, perceber nossas deficiências, buscar novas formas e novas fontes de saber. O professor precisa levar para dentro da sala de aula a crítica séria e competente dos livros didáticos e o exercício de convívio na diferença, não só entre membros de sociedades diferentes, mas também entre aqueles que têm origens regionais e culturais diversas. Os antropólogos, que por força de profissão, mantêm contatos intensos com os grupos indígenas e estudam a questão da diversidade, precisam tomar para si e como um desafio a tarefa de produzir materiais adequados e contextualizados para um público mais amplo que aquele dos especialistas. Os autores destes manuais didáticos precisam rever suas fontes e as teorias que seguem, balizando seus livros em pesquisas mais contemporâneas. As editoras, por sua vez, precisam ser mais cuidadosas no controle dos materiais que elas publicam. E o Governo Federal deve incentivar avaliações sistemáticas dos livros didáticos beneficiados nos programas de compra e distribuição de material didático para todo o país. Por fim, cabe aos próprios índios, e muitos representantes indígenas já estão em condições de manterem um diálogo mais efetivo com a sociedade nacional, "pacificar" e "civilizar" os não-índios. 


Fontes de informações sobre as sociedades indígenas no Brasil(14)

Ao relembrarmos as críticas que vêm sendo feitas aos livros didáticos no que se refere ao tratamento dado à temática indígena, pretendemos contribuir para reverter a forma como estas sociedades são apresentadas nestes manuais. Esta é a intenção também da apresentação, que faremos a seguir, de um conjunto de fontes de informações sobre as sociedades indígenas no Brasil. Não se trata de um levantamento exaustivo, uma vez que deixamos muitos trabalhos de fora, e optamos por incluir estudos que compusessem um conjunto mínimo de obras publicadas nos últimos 25 anos e escritas em português, que permitisse a indivíduos e grupos interessados terem uma introdução a esta questão. E é para estas pessoas, sejam elas estudantes, professores, ecologistas, religiosos, funcionários de órgãos governamentais e demais grupos sensibilizados para a questão indígena e para o convívio mais simétrico entre os diversos segmentos da população brasileira que este levantamento pode ser útil. Os títulos listados abaixo são facilmente encontráveis: estão à venda em livrarias ou podem ser consultados em bibliotecas. 
Optamos por dividir as indicações bibliográficas em dois grupos. No primeiro, apresentamos alguns livros de divulgação que, por abordarem a temática em questão de uma forma geral, constituem o que denominaremos de uma biblioteca básica sobre as sociedades indígenas no Brasil. Eles foram escritos por especialistas, em linguagem acessível e são destinados a um público mais amplo. No segundo grupo, apresentamos trabalhos selecionados e divididos em certas categorias que podem auxiliar o interessado a obter informações mais detalhadas e sobre tópicos específicos. Ao leigo sugerimos que procure lidar primeiramente com a biblioteca básica, de forma a familiarizar-se com temas gerais e com questões teóricas e metodológicas básicas relacionadas ao conhecimento sobre os índios, suas vidas social e cultural e suas relações com o Estado e com segmentos da sociedade nacional.


Biblioteca mínima sobre as sociedades indígenas no Brasil 

1. MELATTI, Júlio César - Índios do Brasil, Hucitec, São Paulo, 48 edição, 1983, 220 páginas. 
Escrito em linguagem acessível, este livro apresenta informações fundamentais para a compreensão de como funcionam as sociedades indígenas. Em quinze capítulos o autor procurou fornecer dados básicos sobre os índios como rituais, política, arte, parentesco, mitos e suas relações com segmentos da nossa sociedade. Pode ser considerado um dos melhores livros de divulgação sobre índios já escritos. 

2. LOPES DA SILVA, Aracy - Índios, Coleção Ponto-Por-Ponto, Editora Ática, São Paulo, 1988, 40 páginas. 
O livro apresenta informações básicas sobre as sociedades indígenas e sua problemática, além de alguns conceitos chaves da antropologia, úteis na compreensão de como estão organizadas as sociedades indígenas no Brasil. Cada capítulo vem acompanhado de roteiros para pesquisa e discussão e bibliografia comentada. 

3. RAMOS, Alcida - Sociedades indígenas, Editora Ática, Série Princípios, São Paulo, 1986, 96 páginas. 
Através de considerações sobre o território, a economia, o parentesco, a organização política e a religião, a autora fornece uma visão geral das sociedades indígenas no continente sul-americano, apresentando as semelhanças entre diferentes sociedades indígenas. 

4. RIBEIRO, Berta - O índio na cultura brasileira, Editora Revan, Rio de Janeiro, 2 edição, 1991, 186 páginas. 
Neste livro são apresentadas algumas das contribuições indígenas à cultura brasileira na área da botânica, da zoologia, da cultura material, da arte e da linguagem. 

5. FERNANDES, Joana. - Índio - esse nosso desconhecido, Editora da UFMT, Cuiabá, 1993, 149 páginas. 
Escrito em linguagem acessível, a autora procurou combater várias idéias equivocadas sobre os índios, ao mesmo tempo em que fornece informações precisas sobre o modo como as sociedades indígenas estão organizadas. 

6. RODRIGUES, Aryon D. - Línguas brasileiras - Para o conhecimento das línguas indígenas, Edições Loyola, São Paulo, 1986, 134 páginas. 
Este é o único livro que existe sobre as línguas indígenas faladas no Brasil hoje. Apresenta informações sobre a classificação das línguas em troncos e famílias mostrando as semelhanças e diferenças que existem entre algumas línguas. 

7. RIBEIRO, Darcy - Os índios e a civilização: a integração das populações indígenas no Brasil moderno, Editora Vozes, Petrópolis, 1982, 4a edição, 509 páginas. 
O autor analisa a história dos índios no Brasil através de antigos documentos do S.P.I., mostrando as frentes de contato e seus impactos sobre as populações indígenas.
 
8. GOMES, Mércio P. - Os índios e o Brasil: ensaio sobre um holocausto e sobre uma nova possibilidade de convivência, Editora Vozes, Petrópolis, 1988, 237 páginas. 
Analisando as relações das sociedades indígenas com o Estado brasileiro, desde o tempo da colônia até os dias atuais, o autor mostra como nos últimos anos os índios estão crescendo numericamente. 

9. JUNQUEIRA, Carmen - Antropologia indígena - uma introdução, Educ, São Paulo, 1991, 111 páginas. 
Mostrando como o conhecimento de outras culturas pode nos auxiliar no entendimento de nossa própria sociedade a autora apresenta uma série de características culturais básicas das sociedades indígenas brasileiras. 

10. LOPES DA SILVA, Aracy (org) - A questão indígena na sala de aula - Subsídios para professores de 1º e 2° graus, Brasiliense, São Paulo, 1987, 253 páginas. 
O livro divide-se em duas partes. Na primeira, faz-se uma crítica dos livros didáticos e de obras literárias que versam sobre os índios, revelando as limitações ou vícios que por ventura apresentem. Na segunda parte, há vários textos com informações sobre como são organizadas as sociedades indígenas hoje e sobre o processo de contato dos índios com os brancos. Há, ainda, um amplo levantamento de fontes de informação sobre as populações indígenas do Brasil. 

11. CENTRO ECUMÊNICO DE DOCUMENTAÇÃO E INFORMAÇÃO (CEDI) - Aconteceu Especial: Povos Indígenas no Brasil - 1987-1990, CEDI, São Paulo, 1987-1990, 592 páginas. 
Fazendo um resumo dos principais acontecimentos de 1987 a 1990, que foram veiculados pela imprensa, esta publicação permite uma boa compreensão da realidade indígena contemporânea. Traz, ainda, informações sobre populações indígenas e a situação de seus territórios, apresentando fotos e mapas. 

12. PREZIA, Benedito e HOORNAERT, Eduardo - Esta terra tinha dono, Cehila Popular/CIMI/FTD, São Paulo, 1991, 184 páginas. 
Trata-se do primeiro livro didático escrito com o objetivo de recuperar a presença dos índios em toda a história do Brasil, do descobrimento aos dias de hoje. 

13. CARNEIRO DA CUNHA, Manuela - Os direitos do índio, Brasiliense, São Paulo, 1987, 230 páginas. 
Mostra a história dos direitos indígenas no Brasil até antes da promulgação da Constituição de 1988, comparando-a com a de outros Países e alertando para a distância que existe entre o que a lei estabelece e o que acontece na prática em nosso país. 

14. CONSELHO INDIGENISTA MISSIONÁRIO (CIMI) - Porantim - em defesa da causa indígena. 
Jornal editado mensalmente pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI) trazendo notícias e denúncias sobre a situação dos diversos grupos indígenas brasileiros. 

15. RIBEIRO, Berta G. - O índio na história do Brasil, Global Editora, São Paulo, 1983, 125 páginas. 
O livro divide-se em duas partes. Na primeira, a autora mostra o lugar do índio na história do Brasil, da colônia aos nossos dias. Na segunda parte, apresenta as contribuições indígenas à nossa cultura. 

16. VIDAL, Lux (coord) - O índio e a cidadania, Brasiliense e CPI/SP, São Paulo, 1983, 100 páginas. 
O livro reúne artigos que pensam os índios como cidadãos brasileiros, analisando a relação destes com o conjunto da nação. Mostra como a manutenção dos territórios indígenas é condição fundamental para a sobrevivência destas sociedades. 

17. ARANHA, Gilberto e VALADÃO, Virgínia Marcos - Senhores destas terras - Os povos indígenas no Brasil; da colônia aos nossos dias, Coleção História em Documentos, Atual Editora, São Paulo, 1991, 82 páginas. 
O livro mostra como se constituíram e se transformaram as relações do Estado brasileiro com as sociedades indígenas, de 1500 aos dias de hoje. 

18. TELLES, Norma A. - Cartografia brasilis ou esta história está mal contada, Coleção Espaço, Edições Loyola, São Paulo, 1984. 
A autora mostra como os livros didáticos de história trazem conceitos equivocados que levam os alunos a terem uma idéia deturpada do processo da colonização e dos povos indígenas. 

19. VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo - Araweté: o povo de Ipixuna, CEDI, São Paulo, 1992, 192 págs. 
Trata-se de uma das poucas monografias escritas para um grande público sobre uma sociedade indígena específica: os Araweté do Pará. Enfoca aspectos centrais da vida de povo indígena: cosmologia, parentesco, contato, etc. 


Trabalhos selecionados sobre as sociedades indígenas no Brasil 

A seguir apresentamos uma bibliografia selecionada sobre as sociedades indígenas no Brasil, organizada a partir de alguns indexadores. Todos os livros estão escritos em português e foram publicados nos últimos 25 anos. Não se tem aqui qualquer pretensão de exaustão na apresentação do material. Trata-se de uma seleção criteriosa, embora limitada e que permite perceber o mosaico da produção antropológica no Brasil. Em cada um dos livros relacionados poder-se-á encontrar outras referências bibliográficas, o que permitirá a continuidade da pesquisa. 


1. Introdução à Antropologia 
A antropologia é uma das ciências Humanas que está voltada à compreensão de diferentes culturas que compõem a humanidade. No Brasil, a antropologia tem se preocupado em entender a rica diversidade étnica e cultural existente entre os grupos indígenas e em estudar grupos delimitados dentro da sociedade nacional. Listamos algumas obras que dão uma visão geral da antropologia e de como trabalham os antropólogos, onde se encontram referências a várias obras e a autores clássicos. 

DA MATTA, Roberto - Relativizando: uma introdução à Antropologia Social, Editora Vozes, Petrópolis, 1983, 246 págs. 

LAPLANTINE, François - Aprender Antropologia, Editora Brasiliense, São Paulo, 1988, 205 págs. 

LARAIA, Roque de Barros - Cultura: um conceito antropológico, Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro, 1986, 116 págs. 

MARCONI, Marina de Andrade e PRESOTTO, Zelia Maria Neves - Antropologia, uma introdução, Editora Atlas, São Paulo, 1989, 285 págs. 

MELLO. Luiz Gonzaga de - Antropologia Cultural: iniciação, teoria e temas, Editora Vozes, Petrópolis, 1982, 526 págs. 

PELTI, Pertti J. - iniciação ao Estudo da Antropologia, Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1975, 144 págs. 


2. Para se aprofundar na temática indígena 
Uma vez lidos alguns livros da biblioteca mínima, o leitor já estará em condições de aprofundar seus conhecimentos sobre as sociedades indígenas e sobre as relações destas sociedades com segmentos da sociedade nacional. Para isto, procuramos selecionar alguns títulos e agrupá-los a partir de certas questões. Só estão relacionados livros em português e escritos nos últimos anos. 


- Arte e artesanato Indígena 

COSTA, Maria Heloisa Fénelon - O mundo dos Mebináku e suas representações visuais, Editora da UnB, Brasília, 1988, 159 págs. 

FUNARTE - Arte e corpo: pintura sobre a pele e adornos de povos indígenas brasileiros, FUNARTE/INAP, Rio de Janeiro, 1985, 108 págs. 

MULLER, Regina Polo - Os Asuriní do Xingu: história e arte, Editora da Unicamp, Campinas, 1990, 349 págs. 

RIBEIRO, Darcy (Edit.) e RIBEIRO, Berta (Coord.) - Suma Etnológica Brasileira, Vol. 111, Arte Índia, Edição Atualizada do Handbook of South American Indians, Editora Vozes/FINEP, Petrópolis, 1986, 300 págs. 

RIBEIRO, Berta Gleizer - Dicionário do Artesanato Indígena, Editora Itatiaia/EDUSP, Belo Horizonte, 1988, 343 págs. 

RIBEIRO, Berta - Arte indígena, linguagem visual/lndigenous art, visual language, Editora Itatiaia/EDUSP, Belo Horizonte, 1989, 186 págs. 

VIDAL, Lux (org) - Grafismo Indígena - estudos de Antropologia estética, Nobel/Edusp, São Paulo, 1992, 296 páginas. 

SIQUEIRA JR. , Jaime Garcia - Arte e Técnicas Kadiwéu, SMC-SP, São Paulo, 125 págs. 


- Educação Indígena 

CABRAL, Ana Suelly et alii - Por uma educação indígena diferenciada, CNRC/FNPM, Brasília, 1987, 100 págs. 

CIMI - Com as próprias mãos: professores indígenas construindo a autonomia de suas escolas, CIMI, Brasília, 1992, 40 págs. 

EMIRI, Loretta e MONSERRAT, Ruth (Org.) - A Conquista da Escrita -Encontros de Educação Indígena, OPAN/Iluminuras, São Paulo, 1989, 258 págs. 

LOPES DA SILVA, Aracy (Coord.). - A questão da educação indígena, Comissão Pró-Índio de São Paulo/Brasiliense, São Paulo, 1981, 222 páginas. 

MELIÁ, Bartomeu - Educação Indígena e Alfabetização, Edições Loyola, São Paulo, 1979, 91 págs. 
SEKI, Lucy (org.) - Lingüística indígena e educação na América Latina, Editora da Unicamp, Campinas, 1993, 408 págs. 


- História Indígena 

CARNEIRO DA CUNHA, Manuela (org) - História dos índios no Brasil, Cia. das Letras/Secretaria Municipal de Cultura/São Paulo, São Paulo, 1992, 611 págs. 

CHAIM, Marivone Matos - Aldeamentos indígenas (Goiás 1749-1811), Nobel/lNL/Fund. Pró-Memória, Brasília/São Paulo, 1983, 2232 págs. 

COMISSÃO PRÓ-ÍNDIO DE SÃO PAULO - índios direitos históricos, Cadernos da Comissão Pró-Índio n. III, CPI-SP, São Paulo, 1982, 77 págs. 

CLASTRES, Hélene - Terra Sem Mal - o profetismo Tupi-Guarani, Editora Brasiliense, São Paulo, 1978, 123 págs. 

FLORESTAN, Fernandes - A função social da guerra na sociedade Tupinambá, Livraria Pioneira Editora/EDUSP, São Paulo, 1970, 423 págs. 

GALLOIS, Dominique T. - Mairi revisitada - a reintegração da Fortaleza de Macapá na tradição oral dos Waiãpi, NHII/USP e Fapesp, São Paulo, 1993, 91 págs. 

MOREIRA NETO, Carlos de Araújo - índios da Amazônia, De Maioria a Minoria (1750- 1850), Editora Vozes, Petrópolis, 1988, 348 págs. 

RIBEIRO, Darcy E MOREIRA NETO, Carlos de Araújo - A Fundação do Brasil: Testemunhos 1500-1700, Editora Vozes, Petrópolis, 1992, 447 págs. 


- Indigenismo 

CARDOSO DE OLIVEIRA, Roberto - A crise do indigenismo, Editora da Unicamp, Campinas, 1988, 95 págs. 

JUNQUEIRA, Carmen e CARVALHO, Edgard de Assis (Org.) - Antropologia e Indigenismo na América Latina, Cortez Editora, São Paulo, 1981, 129 págs. 

OLIVEIRA FILHO, João Pacheco (Org.) - Sociedades Indígenas e Indigenismo no Brasil, UFRJ/Marco Zero, Rio de Janeiro 1987, 264 págs. 

OPAN - Ação indigenista como ação política, OPAN, Cuiabá, 1987, 136 págs. 


- Terras indígenas, meio ambiente e projetos econômicos 

COMISSÃO PRÓ-ÍNDIO DE SÃO PAULO - A questão da terra, Cadernos da Comissão Pró-Índio n.2, Global Editora, 1981, 184 págs. 

DAVIS, Shelton - As Vítimas do Milagre: o desenvolvimento dos índios no Brasil, Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1978, 208 págs. 

GUIMARÃES, Paulo Machado - Demarcação das Terras Indígenas - A Agressão do Estado, Assessoria Jurídica do CIMI, Brasília, 1989, 93 págs. 

LORENZ, Sonia da Silva - Sateré-Mawé: os filhos do Guaraná, Coleção Projetos 1, Centro de Trabalho Indigenista, São Paulo, 1992, 159 págs. 

MAGALHÃES, Antonio Carlos (Org.) - Sociedades indígenas e transformações ambientais, Série Universidade e Meio Ambiente 6, UFPa, Belém, 1993, 203 págs. 

SANTOS, Leinad A. e ANDRADE, Lúcia M. M. (Org.) - As Hidrelétricas do Xingu e os Povos Indígenas, Comissão Pró-Índio de São Paulo, São Paulo, 1988, 196 págs. 


- Direitos indígenas e as relações dos índios com o Estado brasileiro 

CARNEIRO DA CUNHA, Manuela (org) - Legislação indigenista no século XIX: uma copilação: 1808-1889, Edusp/Comissão Pró-Índio de São Paulo, São Paulo, 1992, 362 págs. 

CIMI - Os povos indígenas e a nova República - Documento do Conselho Indigenista Missionário órgão anexo à CNBB, Edições Paulinas, São Paulo, 1986, 123 págs. 

COELHO, Elizabeth Maria Beserra - A política indigenista no Maranhão Provincial, SIOGE, São Luiz, 1990, 234 págs. 

GAGLIARDI, José Mauro - O Indígena e a República, Editora Hucitec, São Paulo, 1989, 310 págs. 

GUIMARAES, Paulo Machado (Org.) - Legislação indigenista brasileira, Edições Loyola, São Paulo, 1989, 247 págs. 

GUIMARAES, Paulo Machado (Org.) - Ementário de Jurisprudência Indigenista, CIMI, Brasília, 1993, 148 págs. 

SANTOS, Sílvio Coelho dos - Povos Indígenas e a Constituinte, Editora da UFSC/Movimento, Florianópolis, 1989, 83 págs. 

SANTOS, Sílvio Coelho dos (Org.) - O índios perante o direito (ensaios), Editora da UFSC, Florianópolis, 1982, 192 págs. 

SANTOS, Sílvio Coelho dos et alii (Org.) - Sociedades indígenas e o direito: uma questão de direitos humanos (ensaios), Editora da UFSC/CNPq, 1985, 184 págs 

SOUZA FILHO, Carlos Frederico Marés (Org.) - Textos clássicos sobre o direito e os povos indígenas, Juruá Editora/NDI, Curitiba, 1992, 142 págs. 

THOMAS, Georg - Política indigenista dos portugueses no Brasil 1500 -1640, Edições Loyola, São Paulo, 1981, 254 págs. 


- Mitos, saberes e conhecimentos indígenas 

AGOSTINHO, Pedro - Mitos e outras narrativas Kamayurá, Coleção Ciência e Homem, UFBa, Bahia, 1974, 190 págs. 

CINTA LARGA, Pichuvy - Mantere ma kwé tinhin - Histórias de maloca antigamente, SEGRAC/CIMI, Belo Horizonte, 1988, 132 págs. 

FERREIRA, Mariana Kawall Leal (org.)- Histórias do Xingu-coletâneas dos índios Suyá, Kayaabi, Juruna, Trumai, Txurarramae e Txicão, NHII/USP e FAPESP, São Paulo, 1994, 239 págs. 

KUMU, Umasin e KENHÍRI, Tolamãn - Antes o Mundo Não Existia(Introdução de Berta G. Ribeiro), Livraria Cultura Editora, São Paulo, 1980, 239 págs. 

LÉVI-STRAUSS, Claude - O cru e o cozido, Editora Brasiliense, São Paulo, 1991, 376 págs. 

MINDLIN, Betty - Tuparis e Tarupás - Narrativas dos índios Tuparis de Rondônia, Editora Brasiliense/Edusp/Iama, São Paulo, 1993, 123 págs. 

RIBEIRO, Darcy (Edit.) e RIBEIRO, Berta (Coord.) - Suma Etnológica Brasileira, Vol. 1, Etnobiologia, Edição Atualizada do Handbook of South American Indians, Editora Vozes/FINEP, Petrópolis, 1986, 302 págs. 

RIBEIRO, Darcy (Edit.) e RIBEIRO, Berta (Coord.) - Suma Etnológica Brasileira, Vol. 11, Tecnologia Indígena, Edição Atualizada do Handbook of South American Indians, Editora Vozes/FINEP, Petrópolis, 1986, 448 págs. 

SAMAIN, Etienne - Moroneta Kamayurá: mitos e aspectos da realidade social dos índios Kamayurá (Alto Xingu), Lidador, Rio de Janeiro, 1991, 245 págs. 


- Coletâneas de artigos sobre diversos temas 

ARNAUD, Expedito - O í ndio e a expansão nacional, Edições Cejup, Belém, 1989, 485 págs. 

BALDUS, Herbert - Ensaios de Etnologia brasileira, Brasiliana vol. 101, Cia. Editora Nacional/INL-MEC, São Paulo, 1979, 214 págs. 

CUNHA, Manuela Carneiro da - Antropologia do Brasil - mito, história, etnicidade, Editora Brasiliense, São Paulo, 1986, 173 págs. 

GALVÃO, Eduardo - Encontro de Sociedades: Índios e Brancos no Brasil, Paz e Terra, Rio de janeiro, 1979, 300 págs. 

GRUPIONI, Luís Donisete Benzi (Org.). - índios no Brasil, Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, São Paulo, 1992, 279 páginas.
 
NOVAES, Sylvia Caiuby (Org.) - Habitações indígenas Nobel/EDUSP, São Paulo, 1983, 196 págs.

NIMUENDAJU, Curt - Textos Indigenistas, Edições Loyola São Paulo, 1982, 250 págs. 

SCHADEN, Egon - Leituras de Etnologia Brasileira, Cia. Editora Nacional, São Paulo, 1976, 527 págs. 

SEEGER, Anthony - Os Índios e Nós: Estudos sobre sociedades tribais brasileiras, Editora Campus, Rio de Janeiro, 1980. 

VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo e CARNEIRO DA CUNHA, Manuela (Orgs.) - Amazônia: etnologia e história Indígena NHII/USP e FAPESP, São Paulo, 1993, 431 págs. 


- Relatos de experiências de convivência com grupos indígenas 

LÉVI-STRAUSS, Claude-Tristes Trópicos, Edições 70, Lisboa, 1986 (1. edição 1955), 416 págs. 
LISBOA, Thomaz A. - Entre os Münkü - a resistência de um povo, Edições Loyola, São Paulo, 1979, 83 págs. 

MARTINS, Edilson - Nossos índios, nossos mortos, Editora Codecri, Rio de Janeiro, 1979, 312 págs. 

MAYBURY-LEWIS, David - O Selvagem e o inocente, Editora da Unicamp, Campinas, 1990, 429 págs. 

NOVAES, Washington - Xingu, uma flecha no coração, Editora Brasiliense, São Paulo, 1985, 310 págs. 
RIBEIRO, Berta G. - Diário do Xingu, Paz e Terra, Rio de Janeiro, 1979, 265 págs. 


3. Monografias 

A monografia resulta normalmente do trabalho de pesquisa do antropólogo junto a uma única sociedade indígena, analisando temas específicos como parentesco, mitologia, organização social, economia, cultura material, adaptação ao meio, relações interétnicas, história, etc. Outras monografias resultam do trabalho realizado com fontes históricas e arquivos. Algumas foram realizadas por mais de um pesquisador Selecionamos apenas algumas monografias publicadas que indicam a variedade destes estudos, quer em termos do grupo indígena estudado, quer dos temas enfocados e metodologias utilizadas. Incluímos, juntamente com as monografias, trabalhos que abordam uma dada área cultural ou uma região. Trata-se, no todo, de uma pequena amostra, dividida pelas 5 regiões políticas do Brasil. O interessado em conhecer mais sobre um grupo indígena específico, deve procurar saber se há algum estudo deste tipo já realizado. Lembre-se, todavia, que muitas dissertações de mestrado e teses de doutorado não foram publicadas e seu acesso só é possível nas bibliotecas das universidades. 


- Região Norte 

BAINES, Stophen G. - ''É a Funai quem sabe'': a frente de atração Waimiri-Atroari, MPEG/CNPq/SCT/PR, Belém, 1990, 362 págs. 

CARDOSO DE OLIVEIRA, Roberto - O índio e o mundo dos brancos: a situação dos Tikuna do Alto Solimões, DIFEL, São Paulo, 1964, 142 págs. 

CARNEIRO DA CUNHA, Manuela - Os Mortos e os Outros: uma análise do sistema funerário e da noção de pessoa entre os índios Krahó, Editora Hucitec, São Paulo, 1978, 152 págs. 

DA MATTA, Roberto - Um Mundo Dividido: a estrutura social dos índios Apinayé, Editora Vozes, Petrópolis, 1976, 254 págs. 

FARAGE, Nádia - As muralhas dos Sertões: os povos indígenas no Rio Branco e a colonização, Paz e Terra/ANPOCS, Rio de Janeiro, 1991, 197 págs. 

FAULHABER, Priscila - O navio encantado: etnia e alianças em Tefé, Coleção Eduardo Galvão, MPEG, Belém, 1987, 253 págs. 

GALLOIS, Dominique Tilklin - Migração, Guerra e Comércio: os Waiãpi na Guiana, Série Antropologia n.15, FFLCH/USP, 1986, 348 págs. 

GONÇALVES, Marco Antonio - O significado do nome: cosmologia e nominação entre os Pirahã, Ed. Sette Letras, Rio de Janeiro, 1993. 

GONÇALVES, Marco Antonio (Org.) - Acre: história e etnologia, Núcleo de Etnologia Indígena, LPS/IFCS/UFRJ, Rio de Janeiro, 1991, 343 págs. 

KROEMER, Gunter - A caminho das malocas Zuhuahá: reconhecimento e identificação de um povo indígena desconhecido, Edições Loyola, São Paulo, 1989, 244 págs. 

LARAIA, Roque e DA MATTA, Roberto - índios e castanheiros: a empresa extrativa e os índios no médio Tocantins, Paz e Terra, Rio de Janeiro, 1979, 208 págs. 

NIMUENDAJU, Curt - Os Apinayé, Museu Paraense Emílio Goeldi, Belém, 1983, 146 págs. 

OLIVEIRA FILHO, João Pacheco - ''O Nosso Governo" - Os Ticuna e o Regime Tutelar, Editora Marco Zero/MCT-CNPq, São Paulo, 1988, 315 págs. 

RAMOS, Alcida Rita - Memórias Sanumã - Espaço e Tempo em uma sociedade Yanomami, Editora Marco Zero/Editora Une, São Paulo, 1990, 343 págs. 

VIDAL, Lux - Morte e Vida de uma Sociedade Indígena Brasileira, Editora Hucitec, São Paulo, 1977, 268 págs. 

VILLAÇA, Aparecida - Comendo como gente formas do canibalismo Wari, Editora da UFRJ/Anpocs, Rio de Janeiro, 1992, 392 págs. 

VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo - Araweté - Os Deuses Canibais, Jorge Zahar Editor/ANPOCS, Rio de Janeiro, 1986, 744 págs. 


- Região Centro-Oeste 

AGOSTINHO, Pedro - Kwarip - mito e ritual do Alto Xingu, EPU/EDUSP, São Paulo, 1974, 209 págs. 
CAIUBY NOVAES, Sylvia - Mulheres, Homens e Heróis - Dinâmica e Permanência através do Cotidiano da Vida Bororo, série Antropologia n.8, FFLCH/USP, São Paulo, 244 págs. 

CARDOSO DE OLIVEIRA, Roberto - Do índio ao bugre: o processo de assimilação Terêna, Livraria Franscisco Alves Editora, Rio de Janeiro, 1976, 152 págs. 

GREGOR, Thomaz - Mehináku: o drama da vida diária de uma aldeia do Alto Xingu, Brasiliana vol 373, Cia. Editora Nacional, São Paulo, 1982, 350 págs. 

LOPES DA SILVA, Aracy - Nomes e amigos: da prática Xavante a uma reflexão sobre os Jê, série Antropologia 6, FFLCH-USP, São Paulo, 1986, 340 págs. 

MAYBURY-LEWIS, David - A Sociedade Xavante, Francisco Alves, São Paulo, 1984, 400 págs. 

MELATTI, Julio Cezar - Ritos de uma Tribo Timbira, Editora Ática, São Paulo, 1978, 364 págs. 

RIBEIRO, Darcy - Kadiwéu - ensaios etnológicos sobre o saber, o azar e a beleza, Editora Vozes, Petrópolis, 1980, 318 págs. 

VIERTLER, Renate Brigitte - A refeição das almas - uma interpretação etnológica do funeral dos índios Bororo-MT, Hucitec/Edusp, São Paulo, 1991, 221 págs. 

SCHADEN, Egon - Aspectos fundamentais da cultura Guarani, EPU/EDUSP, São Paulo, 1974, 190 págs. 

WAGLEY, Charles - Lágrimas de boas vindas: os índios Tapirapé do Brasil Central, Itatiaia/Edusp, 1988, 299 págs. 


- Região Nordeste 


ANTUNES, Clóvis - WaLonã, Kariri, Xukuru: Aspectos sócio-antropológicos dos remanescentes indígenas de Alagoas, UFAL, Maceió, 1973, 154 págs. 

BANDEIRA, Maria de Lourdes - Os Kariris de Miranda, um grupo indígena integrado, UFBa, Salvador, 1972. 

CONDEPE - As comunidades indígenas de Pernambuco, Instituto de Desenvolvimento de Pernambuco, Recife, 1981. 

COELHO, Elisabeth Maria Beserra - Cultura e sobrevivência dos índios no Maranhão, Coleção Ciências Sociais, Série Antropologia 2, Univ. Federal do Maranhão, São Luiz, 1987, 84 págs. 

DANTAS, Beatriz Góis e DALLARI, Dalmo de Abreu - Terra dos índios Xocó: estudos e documentos, Comissão Pró-Índio de São Paulo, São Paulo, 1980, 186 págs. 

DINIZ, Edson Soares - Os Tenetehara-Guajajara e a sociedade nacional: flexibilidade cultural e persistência étnica, Ed. Universitária do Pará, Belém, 1994, 77 págs. 

MOONEN, Francisco - Os Potiguara da Paraíba, UFPb, João Pessoa, 1975. 
PIRES, Maria Idalina da Cruz - "Guerra dos Bárbaros'': resistência indígena e conflitos no Nordeste Colonial, FUNDARPE, Recife, 1990, 143 págs. 


- Região Sudeste 

COMISSÃO PRÓ-ÍNDIO DE SÃO PAULO - índios no Estado de São Paulo: resistência e transfiguração, Yankatu Editora/CPI-SP, São Paulo, 1984, 152 págs. 

LADEIRA, Maria Inês e AZANHA, Gilberto - Os índios da serra do mar, CTI/Nova Stella Editorial, São Paulo, 1988, 71 págs. 

MONTEIRO, John Manuel - Negros da Terra: índios e bandeirantes nas origens de São Paulo, Companhia das Letras, São Paulo, 300 págs. 

NIMUENDAJU, Curt - As lendas de criação e destruição do mundo como fundamentos da religião dos Apapocúva-Guarani, Editora Hucitec/Edusp, São Paulo, 1987, 156 págs. 

REIS, Paulo Pereira dos - O indígena do vale do Paraíba: apontamentos históricos para o estudo dos indígenas do Paraíba e regiões circunvizinhas, Coleção Paulística, Vol. XVI, Governo do Estado de São Paulo, 1979, 139 págs. 

RUBINGER, Marcos Magalhães et alli - índios Maxacali: resistência ou morte, Interlivros, Belo Horizonte, 1980, 199 págs. 


- Região Sul 

POURCHET, Maria Júlia - Ensaios e Pesquisas Kaingáng, Editora Ática, São Paulo, 1984, 128 págs. 

SANTOS, Sílvio Coelho dos - Índios e brancos no sul do Brasil: a dramática experiência dos Xokleng, Movimento, 1988, 313 págs. 

SANTOS, Sílvio Coelho dos - O homem índio sobrevivente do sul - antropologia visual, Editora Guaratuja, Porto Alegre, 1978, 118 págs. 

WAGNER, Carlos et alii -A guerra dos bugres: a saga da nação Kaingang no Rio Grande do Sul, Tchê, Porto Alegre, 1986, 120 págs. 


4. Mapas 

Nas publicações especializadas você encontrará, eventualmente, mapas com a localização de alguns grupos indígenas. Aqui listamos os principais mapas com referências sobre a localização de grupos indígenas, missões religiosas, áreas indígenas, grandes projetos e processos migratórios de grupos indígenas. 

CIMI - Povos Indígenas no Brasil e Presença Missionária, mapa, CIMI, Brasília, 1985. 

CIMI, CEDI, IBASE, GhK - Áreas Indígenas e Grandes Projetos, mapa, Berlim, 1986. 

CIMI, CEDI, IBASE, GhK - Áreas Indígenas e Grandes Projetos - Carajás, mapa, Berlim, 1986. 

CIMI, CEDI, IBASE, GhK - Áreas indígenas e Grandes Projetos - Polonoroeste, mapa, Berlim, 1986. 

NIMUENDAJU , Curt - Mapa Etno-histórico do Brasil e Regiões Adjacentes (1944), mapa, IBGE/Fundação Nacional Pró-Memória, Rio de Janeiro, 1981. 


5. Fontes para pesquisa 

Se você está interessado num tema específico ou num grupo indígena determinado deve consultar algumas obras de referência onde será possível encontrar indicações precisas de bibliografia a ser consultada. Toda pesquisa deve sempre ser iniciada nestes guias de referências. 

ABA - Teses de Antropologia defendidas no Brasil 1945-1987, Associação Brasileira de Antropologia, São Paulo, 1988. 

ABA - Teses, Pesquisas, Antropólogos, Associação Brasileira de Antropologia, Campinas, 1990, 294 págs. 

ABA - Teses, Pesquisas, Antropólogos, Associação Brasileira de Antropologia, Florianópolis, 1993, 149 págs. 

BALDUS, Herbert - Bibliografia Crítica da Etnologia Brasileira, Vol. 1, Comissão do IV Centenário São Paulo, 1954, 859 págs. 

BALDUS, Herbert - Bibliografia Crítica da Etnologia Brasileira, Vol. 11, Volkerkundliche Abhandlungen, Hannover, Bd IV, 1968, 864 págs. 

CEDI - Povos Indígenas no Brasil - Volume 5 - Javari, CEDI São Paulo, 1981, 153 págs. 

CEDI - Povos Indígenas no Brasil - Volume 3 - Arnapá/Norte do Pará, CEDI São Paulo, 1983, 269 págs. 

CEDI - Povos Indígenas no Brasil - Volume 8 - Sudeste do Pará (Tocantins), CEDI São Paulo, 1985, 227 págs. 

DANTAS, Beatriz Góis (Org.) - Repertório de documentos para a história indígena: Arquivo Público Estadual de Sergipe, NHII/USP/FAPESP, São Paulo, 1993, 80 págs. 

HARTMANN, Thekla Olga - Bibliografia Crítica da Etnologia Brasileira, Vol. 111, Volkerkundliche Abhandlungen, Hannover, Bd IX, 1984, 724 págs. 

KERN, Arno Alvarez, et alii - Missões Jesuítico-Guaranis - Fontes Bibliográficas, Minc/SPHAN/PRÓ-MEMÓRIA/Governo do Rio Grande do Sul, s/data, 65 págs. 

LOPES DA SILVA, Aracy e GRUPIONI, Luís Donisete Benzi - Por onde começar uma pesquisa sobre índios ? Roteiro bibliográfico, MEC/MARI-USP, 1994, 16 págs. 

MÉLIA, Bartolomeu et alii - O Guarani - Uma bibliografia Etnológica, FUNDAMES/Fundação Nacional Pró-Memória, 1987, 448 págs. 

MONTEIRO, John Manuel (org.)- Guia de Fontes para a História Indígena e do Indigenismo em arquivos brasileiros -Acervos das Capitais, NHII/USP/FAPESP, São Paulo, 1994, 496 págs. 

MOREIRA, Cleide de Albuquerque e CARRICO, Vera Maria Alves - Bibliografia de Literatura Infanto-Juvenil sobre o índio Brasileiro, FUNAI/CEDOC, Brasília, 1989. 

COELHO, Ana Lúcia et alli. - A imagem do índio na literatura infantil e juvenil: bibliografia, Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, São Paulo, 1992, 47 páginas. 


6. Periódicos 

Listamos aqui os principais periódicos de antropologia, publicados em português, no Brasil, e onde são veiculados os resultados de pesquisas recentes, congregando boa parte da literatura especializada. 

Anuário Antropológico, Editora UnB/Tempo Brasileiro, Brasília. 

Boletim do Museu Paraense Emilio Goeldi, Museu Paraense Emílio Goeldi, Belém. 

Boletim do Museu Nacional, Nova Série, Museu Nacional, Rio de Janeiro. 

Comunicação do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, Museu Nacional, Rio de Janeiro. 

Revista de Antropologia, Universidade de São Paulo, São Paulo. 

Revista do Museu Paulista, Nova Série, Universidade de São Paulo, São Paulo. 

Série Antropologia, Fundação Universidade de Brasília (Depto. de Antropologia), Brasília. 

Terra Indígena - Boletim do G.E.I. Kurumin, Universidade Estadual Paulista, Araraquara. 


7. Informações atuais 

Neste item incluímos publicações recentes elaboradas por organizações não-governamentais de apoio aos índios que contêm informações atuais sobre as sociedades indígenas e suas relações com o Estado brasileiro e com segmentos da sociedade nacional. Temas como política indigenista, situação das terras indígenas, direitos indígenas estão presentes em publicações que podem ser obtidas pessoalmente nas entidades que as produzem, ou por carta (veja endereços abaixo). 

ANAÍ-BA - A lata Pataxó Hahahãi: notas sobre a história e a situação da Reserva Paraguassu Caramuru, ANAÍ-BAHIA, Salvador,1985, 32 págs. 

ANAÍ-BA - Recontando a história do Índio no Brasil, ANAÍ-BAHIA, Salvador, 1992, 20 págs. 

ANAÍ-BA - Boletim da ANAí-BA, Salvador (publicação quadrimestral). 

ANISTIA INTERNACIONAL - "Nós somos a terra'': A lata dos povos indígenas no Brasil por seus direitos humanos, Seção Brasileira da Anistia Internacional, São Paulo, 1992, 31 págs. 

CCPY - Yanomami Urgente, CCPY, São Paulo. 

CCPY/CEDI/CIMI - Roraima: aviso de morte - Relatório sobre a viagem da Comissão da Ação pela Cidadania ao Estado de Roraima, entre 9 e 12 de junho de 1989, CCPY/CEDI/CIMI, São Paulo, 1989, 50 págs. 

CCPY/CEDI/CIMI/NDI - Yanomami: a todos os povos da terra -Segundo relatório da Ação pela Cidadania sobre o caso Yanomami, referente a acontecimentos do período junho de 1989 a maio de 1990, 

CCPY/CEDI/CIMI/NDI, São Paulo, 1990, 48 págs. 

CEDEFES - A lata dos índios pela terra: contribuição à história indígena de Minas Gerais, CEDEFES, Contagem, 1987, 199 págs. 

CEDI - Povos indígenas no Brasil - 80 - Aconteceu Especial n.06, CEDI, São Paulo, 1981, 56 págs. 

CEDI - Povos Indígenas no Brasil - 81 - Aconteceu Especial n. 10, CEDI, São Paulo, 1982, 94 págs. 

CEDI - Povos Indígenas no Brasil - 82 - Aconteceu Especial n. 12, CEDI, São Paulo, 1983, 107 págs. 

CEDI - Povos Indígenas no Brasil - 83 - Aconteceu Especial n. 14, CEDI, São Paulo, 1984, 248 págs. 

CEDI - Povos Indígenas no Brasil - 84 - Aconteceu Especial n.15, CEDI, São Paulo, 1985, 332 págs. 

CEDI - Povos Indígenas no Brasil - 85/86 - Aconteceu Especial n. 17, CEDI, São Paulo, 1986, 448 págs. 

CEDI/CONAGE - Empresas de Mineração e Terras Indígenas na Amazônia, CEDI/CONAGE, 1988, 82 págs. 

CEDI/MUSEU NACIONAL - Terras Indígenas no Brasil, CEDI/MUSEU NACIONAL, 1987, 148 págs. 

CIMI/CNBB - Queremos viver - Subsídios didáticos sobre a questão indígena, série A - vol.1, 

CIMI/CNBB, Brasília, 1986, 29 págs. 

CIMI/CNBB - Povos renascidos - Subsídios didáticos sobre a questão indígena, série B - vol.1, 

CIMI/CNBB, Brasília 1986, 30 págs. 

CIMI/CNBB - Somos povos somos nações - Subsídios didáticos sobre a questão indígena, série B - vol.2, CIMI/CNBB, Brasília, 1987, 30 págs. 

CIMI/CNBB - Nossos direitos nossa vida - Subsídios didáticos sobre a questão indígena, série A - vol.2, 

CIMI/CNBB, Brasília. 1987, 30 págs. 

CIMI/CNBB - Destruir a terra é destruir os filhos da terra, série B - vol.3, CIMI/CNBB, Brasília, 1990, 34 págs. 

CIMI/CNBB - 1993: A violência contra os povos indígenas no Brasil, CNBB/CIMI, Brasília, 1994, 62 págs. 

CIMI/OPAN - Campanha Javari - Povos indígenas do Vale do Javari, CIMI/OPAN, Brasília, 1986, 60 págs. 

CIMI-MA - Povos indígenas no Maranhão: exemplo de resistência, CIMI-MA, São Luís, 1988, 104 págs. 

CIMI-Regional Sul - Toldo Chimbangue - História e lata Kaingang em Santa Catarina, CIMI, Xanxerê, 1984, 108 págs. 

CIDR - índios de Roraima: Makuxi, Taurepang, Ingarikó, Wapixana, Coleção histórico-antropológica n. l, 

CIDR, Boa Vista, 1989, 106 págs. 

COMISSÃO PRÓ-ÍNDIO DE SÃO PAULO - informe Jurídico, Publicação bimestral do Depto. Jurídico da 

CPI-SP, São Paulo. 

GAIGER, Júlio G. - Direitos indígenas na Constituição Brasileira de 1988 (e outros ensaios), CIMI, Brasília, 1989, 21 págs. 

GTME - TUPARI - Boletim informativo do GTME, Cuiabá (informativo trimestral). 

KRAUTLER, Dom Erwin - Testemunha de resistência e esperança: Discursos de Itaici em defesa dos povos indígenas, CIMI, Brasília, 1991, 96 págs. 

MAGUTA/CDPAS - Rü aü i ticunagü arü wu'i - A lágrima ticuna é uma só, Maguta/CDPAS, Benjamin Constant, 1988, 87 págs. 

MANGOLIN, Olívio - Povos indígenas no Mato Grosso do Sul - Viveremos por mais 500 anos, CIMI/MS, Campo Grande, 1993, 120 págs. 

PETI/CDPAS/CEDI - Terra Maguta - A lata pela demarcação das terras Ticuna no alto Solimões, 

PETI/Editora da UFRJ, Rio de Janeiro, 1988, 112 págs. 

PETI/MN - Atlas das terras indígenas do Nordeste, Projeto Estudo sobre Terras Indígenas no Brasil, Rio de Janeiro, 1993, 79 págs. 

PETI/MN - Resenha e Debate, PETI/MN, Rio de Janeiro. 

VERDUM, Ricardo - Mapa da fome entre os povos indígenas no Brasil (I) Uma contribuição à formulação de políticas de segurança alimentar, Subsidio para reflexão e estudo n. 19, INESC, Brasília, 1994, 32 págs. 


8. Vídeos 

Recentemente vieram a público vários vídeos sobre sociedades indígenas produzidos por entidades de apoio aos índios e alguns órgãos governamentais. A temática abordada em tais vídeos é variada: há vídeos sobre sociedades indígenas específicas, sobre rituais, sobre problemas com o território e com segmentos da sociedade envolvente, sobre o uso de vídeos por parte dos próprios índios. Estes vídeos constituem-se em importante material didático para uso nas salas de aulas e podem ser adquiridos junto às entidades que os produziram ou emprestados de instituições públicas. 

A festa da moça 
1987, 18'
Direção e fotografia: Vincent Carelli 
Acesso: CTI 

Wai'a - O segredo dos homens
1988, 15'
Direção: Virgínia Valladão 
Acesso: CTI 

Pemp 
1988, 27'
Direção e fotografa: Vincent Carelli 
Acesso: CTI 

Vídeo nas aldeias 
1989, 10'
Direção e fotografia: Vincent Carelli 
Acesso: CTI 

O Espírito da TV 
1990, 18'
Direção e fotografia: Vincent Carelli 
Acesso: CTI 

A arca dos Zoé 
1993, 22'
Direção: Vincent Carelli e Dominique T. Gallois 
Acesso: CTI 

Eu já fui seu irmão 
1993, 32'
Direção e fotografia: Vincent Carelli 
Acesso: CTI 

Boca livre no Sarare 
1992, 27'
Direção: Vincent Carelli, Maurizio Longobardi e Virgínia- Valladão 
Acesso: TV Cultura-SP/CTI 

''Meu amigo garimpeiro... '' 
1994, 25'
Direção: Equipe do projeto Waiãpi/CTI, Dominique T. Gallois (Coord.) 
Acesso: CTI 

Araweté 
1992, 28'
Direção e fotografia: Murillo Santos 
Acesso: CEDI 

Brasil Caim - Davi contra Golias 
1993, 10'
Direção: Aurélio Michilis 
Acesso: CEDI 

Yanomami: A luta pela demarcação 
1989, 30'
Direção: Ruy Lima 
Acesso: TV Cultura-SP 

Funeral Bororo 
1990, 47'
Direção: Maureen Bisilliat 
Acesso: Memorial da América Latina 

Fruto da aliança dos Povos da Floresta 
1990, 20'
Direção: Siã Kaxinawa 

Kararaô: um grito de guerra 
1989, 78'
Direção: Roseli Galleti 
Acesso: TV Cultura-SP 

Yanomami: morte e vida 
1990, 30'
Direção: Monica Teixeira 
Acesso: TV Manchete 

Yanomami: saúde 
1990, 57'
Direção: Caco Mesquita 
Acesso: TV Cultura-SP 

Mineração em área indígena 
1987, 15'
Direção: Celso Maldos e Ailton Krenak 

Torém 
1994, 23'
Direção: Ivo Souza e Alex Ratts 
Acesso: Nosso Chão 

Wayana-Apalai 
1988, 26'
Direção: Lilia Affonso 
Acesso: TC Cultura - PA 

Xingu 
1988, 18'
Direção: Washington Novaes 
Acesso: Intervídeo e Rede Manchete 

Ameríndia 
1990
Direção: Conrado Berning 

Os Kaiapó saindo da floresta 
1989, 58'
Direção: Terence Turner 

Kry Rytaiti 
1993, 6'
Direção: Xôntapti Totore Payrôrôti 
Acesso: CTI 

Tó Kayrere Kry Rytayti Na 
1993, 13'
Direção: Xôntapti Totore Payrôrôti 
Acesso: CTI 

Os Arara 
1981, 120'
Direção: Andrea Tonacci 
Acesso: Interpovos/TV Bandeirante 

Somos apenas Corpos 
1989, 30'
Direção: Marco Antonio Gonçalves 
Acesso: IFCS-UFRJ 

Xocó: um povo que luta por sua identidade 
1986, 28'
Direção: Renato Newmann e Cláudia Menezes 
Acesso: Museu do Índio-RJ 

Kumatiro, Campanha Javari 
1991, 17'
Direção: Silivo Cavuscens 
Acesso: CIMI 

Madijá 
s/d, 50' 
Produção: CIMI/MA e CIMI/Norte 
Acesso: CIMI 

Reserva Biológica do Guaporé 
1992
Direção: Antenor Vaz 
Acesso: Universidade Federal de Mato Grosso 

Aben Kôt 
1993, 30'
Direção: Breno Kuperman e Otília Quadros 
Acesso: Cena Tropical Comunicações 

Descobrindo o Brasil 
1992, 8'
Direção: Dominique T. Gallois e Murilo Santos 
Acesso: CEDI 

Kaaéte: os Waiãpi, povo da Floresta 
1989, 50'
Edição e Produção: Murilo Santos e Dominique T. Gallois 
Acesso: CEDI 

Karubixexe 
1988, 49'
Direção: Lilia Affonso 
Acesso: TC Cultura - PA 

Kraho, os filhos da Terra 
1990, 53'
Direção: Luis Eduardo Jorge 
Acesso: Centro de Atividades Indigenistas-IBRACE 

Nossos índios, nossa gente 
1988, 26'
Direção:Fredy Nabham 
Acesso: FUNAI 

O povo do veneno 
s/d, 25' 
Acesso: IBASE 

Pt'muná 
s/d, 14'
Direção: Julio Wainer 
Acesso: VTV-SP 

Irai, Terra Kaingang 
1992, 56'
Direção: Rogério Rosa 
Acesso: COMIN/IECLB 


9. Discos e CDs com músicas indígenas 

Aqui listamos alguns discos e Cds de músicas indígenas que podem ser adquiridos pelos interessados nas lojas de disco e em algumas entidades de apoio aos índios. Além destes, músicas indígenas, coletadas por pesquisadores junto as comunidades indígenas, podem ser encontradas em alguns museus e universidades brasileiras que mantêm acervos de etnomusicologia. 

Bororo Vive, Museu Rondon/Coordenação da UFMT, 1989. 

Etenhiritipá - Cantos de Tradição Xavante, Quilombo Música/Warner Music Brasil LTDA, 1994. 

Kaapor, cantos e pássaros não morrem, Unicamp/Minc-SEAC, 1988, álbum duplo. 

Música Indígena - A arte vocal dos Suyá, Tacape, 1982. 

Paiter Meramá - Cantam os Suruís de Rondônia, Memória Discos e Edições LTDA, 1984. 

Txaí - Milton Nascimento, CBS, 1990. 


10. Entidades de apoio aos índios 

A partir do final dos anos 70 surgiram diferentes grupos e entidades não-governamentais de apoio aos índios, marcando um processo mais geral de organização da sociedade civil brasileira. Estas entidades têm trabalhado para que os grupos indígenas tenham direito de decidir livremente sobre suas próprias vidas e sobre seu futuro, mantendo-se enquanto unidades diferenciadas dentro do Estado brasileiro. Listamos algumas das entidades e grupos de pesquisas de universidades brasileiras onde você pode obter informações, e algumas publicações e vídeos, sobre a questão indígena. 

ANAÍ-BA-Associação Nacional de Apoio ao Índio da Bahia 
Rua Borges dos Reis, 46 - loja 5-H 

Boulevard Rio Vermelho 
40.223-000 - Salvador - Bahia 
Tel. (071) 247-0464 
Fax. (071) 235-5836 

CIMI - Conselho Indigenista Missionários(15) 
Cx. Postal 11-1159 
70.084 - Brasília - D.F. 
Tel. (061) 225-9457 
Fax. (061) 225-9401 

CCPY- Comissão Pela Criação do Parque Yanomami 
Rua Manoel de Nóbrega, 111 Cj. 32 
04.001-080 - São Paulo - S.P. 
Tel. (011) 289-1200 
Fax. (011) 284-6997 

CPI/SP - Comissão Pró-Índio de São Paulo 
Rua Ministro de Godoy, 1484 
05.015-001 - São Paulo - S.P. 
Tel. (011) 864-1180 
Fax. (011) 871-4612 

CTI - Centro de Trabalho Indigenista 
Rua Fidalga, 548 Sala 13 
05.432-000 - São Paulo - S.P. 
Tel. (011) 813-3450 
Fax. (011) 813~0747 

COMIN - Conselho de Missão entre índios da IECLB 
Rua Epifânio Fogaça, 467 
Caixa Postal 14 
93.001-970 - São Leopoldo - RS 
Tel. (051) 592-1763 
Fax. (051) 592-3288 

GTME - Grupo de Trabalho Missionário Evangélico 
Cx. Postal 642 
78.005-270 - Cuiabá - M.T. 
Tel. (065) 322-7476 
Centro de Estudos Indígenas ''Miguel A. Menendez" 
Depto. de Antropologia, Política e Filosofia 

ILCSE/UNESP/CAr - Cx. Postal 174 
14.801-970 - Araraquara - São Paulo 
Tel. (0162) 32~0444 ramal 118 

IAMA - Instituto de Antropologia e Meio Ambiente 
Rua Turi, 16 
Vila Madalena 
05.443-050 - São Paulo - S.P. 
Tel. (011) 210-1301 
Fax. (011) 210-1338 

Instituto Socioambiental(16) 
Av. Higienópolis, 901 
01.238-001 - São Paulo - S.P. 
Tel. (011) 825-5544 
Fax. (011) 825-7861 

MARI - Grupo de Educação Indígena 
Depto. de Antropologia da USP 
Cx. Posta1 8.105 
05.508-900 - São Paulo - S.P. 
Tel. (011) 818-3045 
Fax. (011) 818-3140 

OPAN - Operação Anchieta 
Caixa Postal 615 
78.005-040 - Cuiabá - M.T. 
Tel. (065) 322-2980 

PETI - MN - Projeto Estudo sobre Terras Indígenas no Brasil 
Museu Nacional/UFRJ 
Quinta da Boa Vista, s/n 
20.940-040 - Rio de Janeiro - R.J. 
Tel. (021)-254-6695 
Fax. (021)-254-6695 


(1) O dia do Índio foi comemorado no Brasil, pela primeira vez, em 1944. Desde então, sempre em abril, o dia 19 é dedicado ao índio. É provável que todos nós tenhamos alguma lembrança de ter tomado parte de comemorações deste tipo quando freqüentavamos os bancos escolares, ou ver estampados nos jornais matérias sobre os índios no dia 19 de abril. Muitas escolas, pricipalmente as de educação infantil, continuam, ainda hoje, a pintar os rostos das crianças e a confeccionar para elas imitações de cocares indígenas feitos com cartolinas ou com penas de galinha. A grande imprensa e a escola cotinuam a lembrar esta data. Entretanto, a impressão que se têm é que isto tem colaborado pouco com formar uma visão mais adequada sobre os índios na nossa sociedade. 

(2) GRUPIONI, Luis Donisete Benzi - "As sociedades indígenas no Brasil através de uma exposição integrada" in (Org.) - índios no Brasil, SMC-SP, São Paulo,1992, págs.13-28. 

(3) KLINEBERG, Otto - " Projuicio'' in Silis, David L. (Diretor) - Enciclopédia Internacional de las Ciências Sociales, Vol. 8, Aguilar Ediciones, Madrid, 1976, págs. 422-429. 

(4) YINGER, 1. Milton - "Discriminación Social" in Silis, David L. (Diretor) - Enciclopédia Internacional de las Ciências Sociales Vol. 8, Aguilar Ediciones, Madrid, 1976, págs 430-432. 

(5) 0 preconceito pode, em muitos casos, levar indivíduos a negação de sua própria identidade e a tentativa de identificar-se com uma comunidade mais ampla Este parece ser o caso de alguns jovens pertencentes à comunidades indígenas que, em contato mais direto com núcleos urbanos, introjetam os preconceitos existentes na sociedade envolvente, passando a negar sua identidade tentando absorver características e traços de outros segmentos da sociedade brasileira, e negando o pertencimento a seus grupos étnicos originais 

(6) LOPES DA SILVA, Aracy - Índios. Coleção Ponto por-Ponto, São Paulo, Editora Ática, 1988. 

(7) O preconceito, visto como comportamento apreendido, pode tornar uma experiência pessoal desagradável, ser estendida a todo um grupo étnico, como por exemplo, ter uma experiência negativa com um indivíduo de determinado grupo étnico/racial e fazer uso desta situação particular para generalizar características para todo o grupo de origem do agressor. Por outro lado, a língua também é um veículo de associação de idéias preconceituosas e discriminatórias assim como uma série de jogos infantis. Pense, por exemplo, o que esta por trás de frases como "puro como a neve" ou "ter alma negra'' ou em jogos como o do mico-preto (Cf. Klineberg, 1976,474). 

(8) TELLES, Norma - ''A imagem do índio no livro didático: equivocada, enganadora" in LOPES DA SILVA, Aracy (org) - A questão indígena na sala de aula - Subsídios para professores de 1° e 2° graus, Brasiliense, São Paulo, 1987, págs. 73 - 89. 

(9) PINTO, Regina Pahim e MYAZAKI, Nobue - ''A representação do índio nos livros didáticos na área de Estudos Sociais'' in Revista do Museu Paulista, Nova Série, Vol. XXX, USP, São Paulo, págs. 165-191. 

(10) ALMEIDA, Mauro William Barbosa de - "O racismo nos livros didáticos" in LOPES DA SILVA, Aracy (org) - A questão indígena na sala de aula - Subsídios para professores de 1° e 2° graus, Brasiliense, São Paulo, 1987, págs. 13-71. 

(11) ROCHA, Everardo Pereira Guimarães - "Um índio didático nota para o estudo de representações" in ROCHA, Everardo Pereira Guimarães et alii - Testemunha ocular - textos de Antropologia Social do cotidiano, Editora Brasiliense, São Paulo, 1984, 133 págs. 

(12) LAPLANTINE, F. - Aprender Antropologia. São Paulo, Brasiliense, 1988, 205 págs. 

(13) Uma experiência interessante de combate a discriminação foi a criação, no âmbito da Secretaria do Estado da Educação de São Paulo, de uma ''Comissão contra a Discriminação'' que desenvolveu programas junto as escolas públicas do Estado de São Paulo. Esta Comissão elaborou a cartilha A escola na luta contra a discriminação, FDE, São Paulo, 1987, 35 pags. 

(14) Trata-se de uma seleção de livros indicados no trabalho Por onde começar uma pesquisa sobre índios? Roteiro Bibliográfico, MEC/MARI-USP, 1°,9 t, preparado por Aracy Lopes da Silva e Luís Donisete Benzi Grupioni. 

(15) Além do Secretariado Nacional, o CIMI possui regionais nos seguintes endereços: 
Regional Amazônia Ocidental, Rua Rio Grande do Sul, 38, cep 69908-970, Rio Branco/Acre, tel.(068) 225-7495
Regional Leste, Rua Eurita, 516, cep 331010-210, Belo Horizonte/Minas Gerais, tel. (031) 461-2499
Regional Maranhão, Rua Vila Izabel, Qd. O, Casa 5, Conj. Basa, cep 65075-460, São Luis/Maranhão, tel. (098) 227-2695
Regional Mato Grosso, Rua dos Nambikuara, 32, cep 78045-010 Cuiaba/Mato Grosso, tel. (065) 323-2985
Regional Mato Grosso do Sul, Av. Afonso Pena, 1557, Ap. 208, Bl. B, cep 79002-070, Campo Grande/Mato Grosso do Sul, tel. (067) 384-5551
Regional Nordeste Rua Treze de Maio, 288, cep 50100 160, Recife/Pernambuco, tel. (081) 231-3766
Regional None 1, Rua Tapajós, 54, cep 6901 i-970 Manaus/Amazonas, tel. (092) 233-5020
Regional None 11, Trav. Nina Ribeiro 254 cep 66090-970 Belém/Pará, tel. (091) 226-5408
Regional Rondônia, Rua Dom Pedro II, 650, cep 78900 010, Porto Velho/Rondônia, tel. (069) 221-9175
Regional Sul, Rua Bispo Eugênio Damazeno, 463A 3.andar 03206-040 São Paulo/São Paulo, tel. (011)917-3940
Regional Goiás/Tocantins, Cx. Postal 166, 77054-970, Palmas/Tocantins, tel. (063) 2132942. 

(16) Herdou as publicações e os arquivos do Programa Povos Indígenas no Brasil do Centro Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI) e do Núcleo de Direitos indígenas.